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Seattle, Washington - 2006 
Duas semanas e meia após a viagem de Alina para Boston

Na vida, a gente aprende que existem sete pecados capitais.
Todos conhecemos os maiores: Orgulho, gula, luxúria.

Um pecado do qual não se ouve falar muito é a ira.
Talvez por acharmos que a ira não é um pecado tão grave, e podemos controlar.
Talvez a gente não dê muita importância a ira, mas talvez ela seja bem mais grave do que imaginamos.

Afinal, quando se trata de comportamento destrutivo...a ira está no topo do sete mares.

O bar estava mais cheio do que o habitual naquela noite. A música baixa se misturava ao barulho de copos e gargalhadas, criando aquele ambiente aconchegante que só um bar frequentado por médicos podia ter, um lugar onde o álcool parecia aliviar o peso dos plantões.

— Ele tá imaginando meu rosto. — Cristina disse, encarando Burke do outro lado do salão, como se fosse um duelo silencioso. — Uma fera porque eu dormi durante o sexo.

— Acha que ele tá olhando com mais ódio pra mim ou pra você? — Alina perguntou, inclinando-se para Meredith quando percebeu Derek lhes lançar um olhar que parecia cortar o ar.

— Acho que o Derek tá imaginando vocês. — Izzie disparou, sem cerimônia.

— Me chamou de vadia, perdeu o direito de me imaginar. — Meredith rebateu, a voz carregada de mágoa.

— Me chamou de traíra... e daí que eu dormi com o ex-melhor amigo dele? — Alina retrucou, erguendo as mãos. — Só porque somos amigos ele acha que pode decidir com quem eu durmo?

— Acho que você não devia ter contado pra ele, Ali. — Izzie comentou, levando o copo de cerveja à boca.

— E daí que eu dormi durante o sexo? — Cristina ergueu os braços, indignada. — Não é como se fosse um crime capital.

— E aí, o gostosão te ligou depois da noite quente? — Izzie provocou, cutucando Alina com o ombro.

— Não... — Alina suspirou, cobrindo o rosto com as mãos. — Não acredito que caí na do "meu celular estragou".

— Fica assim não. Pior é a Izzie, que tá namorando um paciente cardiopata. — Cristina deu tapinhas no ombro de Alina.

— Cristina! — Izzie reclamou, mas sem negar.

— É verdade. — Cristina deu de ombros e voltou a encarar o grupo de homens jogando dardos no fundo do bar. Meredith e Alina seguiram o olhar dela.

— Idiota. — as três disseram juntas.

— Ah, idiota! — Izzie repetiu, mas desta vez para Alex, que se aproximava. — E aí?

— Izobel Stevens finalmente saiu do hospital. — Alex provocou. — Quer dizer que o paciente cardiopata bateu as botas?

Havia acidez no tom dele. Ele escondia atrás de piadas o fato de ainda estar magoado por ter sido trocado por Denny Duquette.

— Desculpa, essa parte do bar é pra cirurgiões. — Izzie disse, apontando para as amigas. — A gente não conversa com ginecologistas.

Era como vinham chamando Alex desde que Addison o condenara a uma temporada na neonatal, depois de ele tê-la queimado com uma paciente e causado um belo processo.

— Nada pessoal. — Alina disse, sorrindo com inocência fingida. Alex apenas revirou os olhos e se afastou.

— George! — Izzie gritou, acenando para ele. Seu sorriso murchou ao ver Callie ao lado. — Oi, Callie.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora