Seattle, Washington - 2011
Existem lugares onde o tempo para, mesmo que o mundo continue girando do lado de fora.
O cemitério é um deles.
Aqui, cada silêncio pesa.
Cada flor deixada conta uma história.
E cada passo que eu dou parece ecoar tudo o que perdi, e tudo o que ainda tento segurar com as duas mãos.
Às vezes eu tenho medo de voltar.
Medo de encarar a lápide, de sentir o vazio abrir de novo, de perceber que a dor não diminuiu... eu só aprendi a andar com ela.
E, outras vezes, tenho medo ainda maior:
o medo de que um dia a dor diminua.
De que as lembranças fiquem distantes.
De que a voz comece a falhar na minha memória.
Mas eu volto.
Porque amar alguém que se foi também é um tipo de coragem.
O vento frio de Seattle varria o cemitério, dobrando a grama úmida e balançando as flores antigas deixadas sobre alguns túmulos. Alina caminhou devagar entre as fileiras de mármore, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco como se pudesse se proteger do que sentia, mas nunca podia.
Quando chegou à lápide de Mark, o corpo inteiro pareceu perder o ar. Aquele nome... aquele nome gravado na pedra ainda feria como se tivesse sido escrito no dia anterior.
Ela se ajoelhou, ajeitou mecanicamente as flores que trazia dentro da bolsa e pousou a mão na pedra fria.
— Oi, meu amor... — murmurou com a voz arranhada.
Respirou fundo, tentando sorrir, e falhando.
— Desculpa. Eu sei que eu não tenho vindo muito... mas as coisas estão uma loucura.
Os olhos dela se perderam no horizonte cinzento, como se revirassem toda aquela semana dentro de si.
— A Meredith e o Derek tiveram um menino. — disse baixinho, quase como se estivesse contando um segredo. — Ele é lindo... a cara da Meredith. Deram o nome de Bailey. A gente ficou tão feliz...
A felicidade, porém, não durou. O peito dela apertou.
— Mas... nem tudo é alegria. — ela continuou, a voz embargando. — A Brooks... uma das residentes... ela morreu.
Ela fechou os olhos por um segundo.
— Eu... eu tô me sentindo mal por ter gritado com ela antes, por ter tirado ela da minha cirurgia... e depois... — A respiração dela falhou. — Eu sei que eu não podia prever nada, Mark, mas... ainda assim me culpo.
Ela passou a mão no rosto, afastando uma lágrima teimosa.
— E como se tudo no dia da tempestade já não tivesse sido suficiente... — ela soltou um riso cansado, incrédulo. — Você não vai acreditar nisso. A Arizona traiu a Callie.
Ela balançou a cabeça, abatida.
— Eu sei... foi uma bomba pra todo mundo. A Sophia tá comigo, porque a Callie tá morando com o Derek e a Meredith por enquanto. A Arizona ficou no apartamento. As coisas estão péssimas, amor. Péssimas.
O silêncio caiu sobre ela como um cobertor pesado.
— E as meninas... elas estão numa fase que perguntam sobre tudo. — sua voz encolheu. — E começaram a perguntar sobre você. E eu... eu não consigo não chorar.
Ela tocou novamente a pedra.
— Ainda dói tanto. Ainda é tão difícil.
Alina ficou ali, imóvel, deixando que o vento secasse suas lágrimas. Por alguns instantes, o mundo pareceu parar ao redor dela, como se o tempo respeitasse aquela dor.
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Código Azul
FanficAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
