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Seattle, Washington  - 2012

Todos os dias um cirurgião toma uma decisão que pode seguir dois caminhos: ou muito bom, ou muito, muito, muito ruim.
O problema é que as grandes decisões e as más decisões parecem exatamente iguais quando se está às tomando.

Alina ainda estava tentando processar o que Derek havia acabado de dizer. A xícara de café pairava no ar, esquecida entre os dedos, enquanto ela o encarava como se ele tivesse anunciado que iria colonizar Marte.

Na sala de estar, as gêmeas conversavam animadamente sobre unicórnios, cirurgias imaginárias e panquecas. O contraste com a bomba que Derek havia acabado de soltar era quase cômico.

— Fala sério. — Alina murmurou, os olhos estreitos.

— Tô falando sério. — Derek respondeu, apoiado na bancada, relaxado demais para alguém que acabara de receber uma ligação da Casa Branca.

— Fala sério.

— Tô falando sério.

Ela inspirou fundo, como se estivesse prestes a dizer algo lógico, mas a incredulidade escapou primeiro:

— O presidente dos Estados Unidos te ligou. Ele quer que você mapeie o cérebro.

— Sim. E agora a Meredith tá com raiva porque eu vou descumprir minha promessa. — disse ele, como se estivesse comentando sobre ter esquecido de comprar leite.

— Não é pra menos, né.

— Ali, é o presidente me dando dinheiro pra mapear o cérebro. — ele abriu os braços, teatral. — É a Fantástica Fábrica de Chocolate de todo neurocirurgião.

— Muito bem, Willy Wonka, o que você disse? — ela arqueou a sobrancelha.

— Eu disse que iria pensar... mas vou aceitar, eu acho.

Ela tomou um gole de café, mas fez uma careta, como se a bebida tivesse perdido o gosto.

— Eu meio que te odeio agora.

— Eu sei. — ele sorriu, sem culpa. — Posso te colocar na pesquisa, se quiser.

— Não, obrigada. — Alina respondeu rápido demais. — Não vou viver na sombra do meu mentor pra sempre. Você sai e brilha em Washington. Eu brilho em Seattle com a sua saída.

Derek levou a mão ao peito, fingindo uma ferida profunda.

— Isso magoou. Parece que quer me ver longe daqui o mais rápido possível.

— Sabe que isso não é verdade. — ela desviou o olhar, o tom mais suave. — Se eu pudesse, manteria você grudado em mim pra sempre.

— E como exatamente você faria isso? — ele perguntou, divertido.

Antes que ela respondesse, Hannah surgiu na cozinha, arrastando os pés no pijama de unicórnio, segurando um tubo de cola com expressão resoluta.

— Gruda com cola, dindo.

Derek desceu da banqueta rindo, pegou a cola das mãos dela e beijou o topo de sua cabeça.

— Ah, temos uma mocinha muito esperta aqui.

Hannah saiu correndo de volta para a sala.

O sorriso de Alina demorou a desaparecer.

— Acha que ela vai querer se mudar? — perguntou, referindo-se a Meredith.

— Não sei. — Derek respondeu. — Você se mudaria se o Perkins te pedisse pra ir pra Alemanha?

Ela não hesitou.

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⏰ Última atualização: Feb 08 ⏰

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