Seattle, Washington - 2011
Eu tinha uma professora na faculdade que era o máximo.
Invencível. Inabalável. Do tipo que entrava numa sala e o ar mudava.
Então um dia ela precisou retirar a vesícula. Algo simples, rotineiro, quase banal. Mas ela morreu na cirurgia.
As plaquetas dela simplesmente... não funcionaram.
Ela sangrou até morrer.
Tudo que podia dar errado, deu errado.
Os cirurgiões chamam isso de "tempestade perfeita".
Engraçado.
Eu nunca imaginei que veria isso acontecer com alguém que eu amo tanto.
O hospital tremia com o vento. A chuva batia contra os painéis de vidro como punhos. Gritos, correrias, maca sendo empurrada, o caos do Grey Sloan em noite de guerra.
Alina e Cristina chegaram juntas ao corredor do centro obstétrico, ainda ofegantes. O gerador fazia as lâmpadas piscarem num ritmo irregular, deixando tudo em sombras.
— Você tinha MESMO que entrar em trabalho de parto no meio de uma tempestade? — Alina lançou, abrindo a porta com um empurrão.
Meredith estava apoiada na cama, cabelos colados de suor, respirando como se estivesse enfrentando uma maratona.
— É, e nós nem combinamos o plano! — Cristina entrou logo atrás. — Como vamos infernizar as pessoas sem um plano?
— Acho melhor você deitar um pouco. — Derek sugeriu, tenso, caminhando em círculos como um pai de primeira viagem.
— Quer se deitar? — Cristina repetiu, inclinando-se sobre Meredith.
— NÃO! — Meredith disparou, selvagem.
— Ela disse não. — Alina traduziu, erguendo as mãos em rendição.
— O que você quer? Um travesseiro? — Derek insistiu, inútil.
— Gelo. — Meredith arfou.
— Ela disse gelo. — Alina repetiu, séria.
Derek olhou de uma para outro, indignado:
— Vocês vão fazer isso o tempo todo?
— Desculpa. — Alina sussurrou, tão nervosa quanto esteve em seu parto.
Outro trovão sacudiu o hospital. As luzes piscaram forte e quase apagaram.
Derek pegou o celular.
— Vou ligar pra Connie. Saber por que ela tá demorando.
— Ela está atendendo outras mulheres, Derek! — Meredith retrucou entre dentes. — Ela está ocupada.
— Eu quero saber de você. As outras podem esperar. — Derek respondeu sem remover a mão da cintura dela.
— Conversou com o Owen? — Meredith perguntou, tentando se distrair da dor.
— Sim e não. — Cristina respondeu, seca.
— Meredith, sua dor tá em quanto? Sete? Oito? — Alina perguntou.
— Nove. — Meredith fechou os olhos com força. — Me fala do Owen. Vai ajudar.
— A dor dele tá em dez. — Cristina, sem hesitação.
Alina bufou.
— Ele ainda tá mal por causa do menino? Ele recuperou os pais, devia estar feliz.
A porta abriu com força. Connie entrou em passo firme, com luvas até o cotovelo.
— Não esperava vê-la tão cedo, Meredith. — disse, avaliando rapidamente o ambiente.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Código Azul
FanficAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
