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Seattle, Washington – 2011

O grande dia havia chegado. O dia em que a dúvida finalmente seria dissipada, e as respostas, quer eu quisesse ou não, viriam à tona. A questão que pairava sobre minha cabeça há semanas, me consumindo em cada silêncio, em cada momento de incerteza. A espera era agonizante, mas ao mesmo tempo, eu sabia que, independentemente do que o juiz dissesse, ao menos seria o começo de algo. O começo de um fim ou de um recomeço. De qualquer forma, eu teria que encarar. O alívio de saber seria, no fim, o primeiro passo para seguir em frente.

Naquela tarde, não era sobre doenças, mas sobre outro julgamento: o resultado do processo. Finalmente, o juiz determinaria se o hospital tinha ou não culpa no acidente que destruiu a vida de sete de seus melhores médicos.

Alina estava distraída naquela manhã, a cabeça longe, desejando apenas que aquilo acabasse para que pudesse retomar sua vida. Apesar disso, ao entrar na sala dos médicos, ela estampou um sorriso no rosto. No fundo, percebia que o velho ditado era real: o tempo, de fato, tornava as coisas mais suportáveis.

— Soube que sua namorada estava desfilando de calcinha na cozinha hoje de manhã. — a voz de Cristina chegou até Alina assim que ela cruzou a porta.

Yang estava sentada na mesa, descascando uma banana, enquanto encarava Alex com seu olhar característico.

— Ela não é minha namorada. — Alex rebateu, enchendo sua xícara de café.

— Dá pra pedir pra sua namorada parar de desfilar de calcinha pela casa? — Alina comentou, servindo-se de café. — Minhas filhas não precisam ver isso logo cedo.

— Ela. Não. É. Minha. Namorada — Alex repetiu, enfatizando cada palavra enquanto se jogava no sofá.

— Ela tá na sua casa o tempo todo, vocês vivem grudados... — Alina começou a listar, mas Alex a cortou antes que pudesse continuar.

— Você e o Shepherd vivem grudados, e vocês não namoram. — ele retrucou com um arquear de sobrancelha desafiador.

— Isso é diferente. — Cristina interveio em defesa da amiga.

— Seja como for, é estranho. — Alina insistiu, cruzando os braços. — Desde quando você não leva internas pra cama?

— Eu sei que é estranho, tá legal? — Alex rebateu, frustrado. — Ela é bonita, tá sempre por perto, mas eu não vejo ela desse jeito! É como... é como se fosse eu transando com vocês duas.

— Acho que vou vomitar. — Alina respondeu, horrorizada.

— Eca! — Cristina fez uma careta, segurando sua xícara de café. — Eu tô tomando café, sabia?

— Soube que seu marido apalpou os peitinhos dela sem querer. — Alex provocou, olhando diretamente para Cristina.

— Ex-marido. — Alina corrigiu automaticamente, tomando um gole de café.

— Foi por isso que ele entrou escondido hoje de manhã. — Cristina completou, dando um sorriso malicioso.

— Você é muito estranha, sabia? — Alex comentou, balançando a cabeça.

A conversa foi interrompida quando Jackson entrou na sala carregando um pote de biscoitos, visivelmente frustrado.

— O Doutor Webber não aceitou os agrados da minha mãe. — ele anunciou, colocando o pote sobre a mesa. — Ela tá preocupada e pediu pra eu ver se ele tá deprimido.

— Mamãe tá na cidade? — Alina perguntou, surpresa.

— Chegou hoje cedo. — Jackson respondeu, jogando-se em uma cadeira. — E perguntou onde você tá morando.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora