Seattle, Washington - 2011
Quando as coisas ruins vêm, elas vêm de repente.
Sem aviso, sem ruído, sem chance de defesa.
Nós raramente vemos a catástrofe chegando, e mesmo quando achamos que estamos preparados, nunca estamos.
A dor sempre nos pega de surpresa.
O sol da manhã filtrava-se pelas cortinas brancas do quarto de Meredith, tingindo tudo com um brilho dourado. O cheiro de café fresco e torradas misturava-se ao perfume suave de lavanda do quarto.
Alina estava sentada na beira da cama, segurando uma caneca fumegante. Meredith, ainda meio sonolenta, mexia distraidamente nos lençóis, o ventre grande denunciando as últimas semanas da gravidez. Derek passara a noite no hospital, e Alina decidira dormir ali, para que a amiga não ficasse sozinha.
— Fiz café. — Alina disse, com um pequeno sorriso, colocando a bandeja sobre o colo de Meredith. — Com torradas e frutas.
Meredith arqueou uma sobrancelha, surpresa.
— Você... fez café?
— E ficou ótimo, antes que duvide. — Alina respondeu, rindo. — Três anos atrás, eu mal sabia fritar um ovo. Agora sou praticamente uma adulta funcional.
Meredith deu uma risadinha baixa, mas o olhar dela ficou distante por um instante, pensativo.
— Ali...?
— Sim?
— Se o Derek e eu morrermos... você fica com os meus filhos?
O sorriso de Alina sumiu por um segundo. Ela respirou fundo, tentando disfarçar o incômodo que a pergunta causava.
— Vocês não vão morrer, Mer.
— Para de ser positiva, é estranho. — Meredith provocou, num tom leve, mas com aquele jeito de quem falava sério por trás da brincadeira.
Alina rolou os olhos.
— Tá legal. Se vocês morrerem, é claro que eu fico com as crianças. Eu amo eles. — Ela deu um meio sorriso. — Já tenho três... o que são mais dois?
Meredith riu, e por um momento, a tensão se desfez.
— Obrigada. — disse, num tom mais suave.
O silêncio seguinte foi confortável. As duas beberam café, ouvindo apenas o som do relógio e o canto distante de um pássaro do lado de fora.
— Então... — Meredith quebrou o silêncio — Tá preparada pra discursar na TED?
— Nervosa. — admitiu Alina, ajeitando o cabelo. — Mas, sinceramente, tô mais preocupada em deixar as meninas.
— Elas vão ficar bem comigo e com o Derek. — Meredith respondeu, segura. — Elas amam a Zola. E amam a gente. Não tem que se preocupar. Só pensa no seu discurso.
Alina assentiu, o olhar perdido na xícara.
— Eu sei. Também tem o assunto da casa.
— Já escolheu a nova? — Meredith perguntou, encostando-se nos travesseiros.
— Ainda não. O corretor marcou umas visitas, mas... tô enrolando. — ela admitiu, baixando o tom.
— Acha que é hora de sair da casa do Alex? — Meredith perguntou, com delicadeza.
— Já são quase três anos desde que o Mark morreu. — Alina suspirou, com um sorriso triste. — Acho que, uma hora ou outra a gente precisa seguir com a vida, né?
Meredith estendeu a mão, pousando sobre a dela.
— Isso é bom, Ali. Seguir é bom.
— É... — ela respondeu baixinho. — Acho que sim.
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Código Azul
FanfictionAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
