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Seattle, Washington  – 2010

QUATRO MESES APÓS A QUEDA DO AVIÃO

A morte muda tudo.

Tem o baque emocional, claro.

Mas também tem as coisas do dia a dia.
Quem vai fazer o seu trabalho? Quem vai cuidar da sua família?

O bom é que você não precisa se preocupar com isso.
Gente que você nem conhece vai morar na sua casa, fazer o seu trabalho, a vida segue em frente, sen você.

Alina estava parada no balcão da recepção, preenchendo um prontuário ao lado de Meredith e Bailey. Fazia um mês que havia assumido como staff, e tudo deveria ser perfeito, se não fosse pelas cicatrizes invisíveis que o acidente deixara. Lexie estava morta, Arizona havia perdido uma perna, Cristina tinha ido embora, Derek já não podia operar, e Mark... Mark permanecia em coma há quase dois meses. Nenhum sinal de melhora. Aquilo a corroía lentamente, um tormento constante que tornava cada segundo insuportável. Nesses dois meses ela mal havia parado em casa, no primeiro mês, ela ficou internada e no segundo, não saía do hospital com medo de algo acontecer com Mark e ela não estar presente.

Alina suspirou pesadamente e fechou o prontuário com força. Quando ergueu os olhos para guardá-lo, notou uma das novas internas olhando fixamente para elas, o rosto pálido, os olhos arregalados de puro nervosismo.
Jô Wilsson parecia tremer no lugar.

— Que cara de idiota é essa? — disparou Alina, encarando a interna.

— Eu trouxe os exames para a Dra. Grey. — respondeu a jovem, tropeçando nas palavras.

— E por que tá parada aí? Ela não vai te morder. — Alina arqueou uma sobrancelha, impaciente.

— Já estou esperando há uma hora. — Meredith comentou sem levantar os olhos dos papéis à sua frente.

— Precisei fazer uma internação... — começou a interna, hesitante.

— Pare de se desculpar. — Meredith cortou sem rodeios.

— Desculpe... — respondeu a interna automaticamente, encolhendo-se sob o olhar severo.

— Pare de falar! — Meredith ergueu os olhos finalmente, avaliando os exames. — O ácido lático dele está normal. O que isso quer dizer?

A interna permaneceu muda por alguns segundos, tentando encontrar as palavras.

— Agora pode falar. — Meredith insistiu.

— Que ele não está séptico. Deve estar bem. Mas, como os leucócitos estão aumentados, é melhor eu manter o paciente em observação. — A interna concluiu rapidamente, quase em um fôlego só.

— Vai pra emergência e tenta não matar ninguém. — Meredith respondeu, seca, voltando sua atenção aos papéis.

— E se encontrar a Edwards no caminho, diga pra ela ficar na emergência com você. Não tô com paciência pra interno burro hoje. — Alina completou com um olhar penetrante.

— Sim, senhora. — A interna assentiu rapidamente antes de sair apressada.

Bailey, que assistia à interação em silêncio, soltou uma risada discreta.

— Que coisa, hein? — disse com um sorriso. — Eu esperava essa aspereza toda da Yang, mas nunca de vocês duas.

Alina apenas deu de ombros, sem muito humor.

— Tenta passar uma semana presa numa floresta entre a vida e a morte. — respondeu secamente, os olhos voltados para o nada.

— Tá certo, não tá mais aqui quem falou! — Bailey ergueu as mãos em rendição, embora ainda sorrisse. — E a Yang? Tá gostando de Minnesota?

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora