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Seattle, Washington - 2011

Alina se apoiava na pia do banheiro do seu quarto. As luzes amareladas faziam sombras nas olheiras dela, e o reflexo no espelho devolvia uma mulher bonita, mas cansada, hesitante... e completamente determinada a não atravessar aquela porta.

— Isso é uma péssima ideia. — ela murmurou, alto o bastante para que eles ouvissem. — Eu não vou.

Do lado de fora, Alex resmungou enquanto devorava alguma coisa, pelo cheiro, provavelmente lasanha congelada.

— Para de besteira, menina.

— É uma ótima ideia! — Cristina contrapôs, sentada na cama, com uma das pernas balançando impaciente.

Alina bufou.

— Eu não devia deixar minhas filhas sozinhas.

— Elas não estão sozinhas, estão com os padrinhos. — Cristina rebateu, como se fosse óbvio.

Alex ergueu a voz:

— É, o que pode dar errado?

— Vocês são os padrinhos. Tudo pode dar errado.— ela gritou de dentro do banheiro.

Cristina jogou a cabeça para trás, exasperada.

— Para com isso. Vai dar tudo certo. Se a Meredith estivesse aqui, estaria empurrando você porta afora.

— A Meredith não é conhecida por tomar boas decisões. — Alina retrucou.

Alex bateu duas vezes na porta, impaciente:

— Sai desse banheiro logo.

Quando ela saiu de vez, Cristina se levantou tão rápido que quase derrubou a lata de refrigerante.

— Uau, olha isso!

Alina segurou a barra do vestido azul-claro, desconfortável.

— Eu não tô arrumada demais?

Alex deu um assobio bobo.

— Sairia com você.

— Eu não sairia com você. — ela rebateu automaticamente, antes de olhar para Cristina. — Cristina?

—Tá gostosa. — Cristina decretou, sem pensar duas vezes.

Alina fechou os olhos.

— Eu não quero estar gostosa. Bonita já tá bom.

Alex olhou pela janela ao ouvir o barulho de um carro estacionado, abriu um sorriso torto e anunciou:

— Seu gostosão chegou!

O mundo de Alina parou.
Aquela palavra. O eco. A memória.

O ar sumiu por um instante, como se alguém tivesse apertado seu peito por dentro.

— Não chama ele assim — Cristina disse, batendo na cabeça de Alex. — Idiota!

Alex arregalou os olhos, percebendo tarde demais.

— Desculpa. Vou nessa. Tá linda viu!

Ele saiu apressado, deixando apenas o silêncio carregado para trás.

Alina apoiou uma mão na parede. Aquele segundo doeu. Mais do que ela esperava. Mais do que queria admitir.

— Cristina... isso não é uma boa ideia — sussurrou.

Cristina se aproximou devagar, pela primeira vez sem ironia.

— Olha, só respira e vai jantar. Você não tem que fazer nada que não queira. Vocês são amigos, certo?

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora