Seattle, Washington - 2011
Pesquisadores estão trabalhando no mapeamento do cérebro humano. Talvez o mapa mais complexo já concebido. Bilhões de neurônios formando trilhões de conexões. À primeira vista, tudo parece caótico, quase aleatório. Mas não é. Não existe acaso ali. Cada conexão precisa acontecer. Cada caminho segue um padrão específico. Cada ligação tem uma função.
Essas conexões determinam tudo sobre nós.
O que amamos.
O que odiamos.
O que dizemos.
O que fazemos.
Alina se aproximou do balcão da enfermaria da neuro, onde Derek analisava alguns prontuários. Devolveu um deles, apoiando os cotovelos ao lado dele antes de se virar.
— Eu vi os exames do Mickey. — disse. — Não tem atividade no lobo temporal direito.
— Pedi uma ressonância. — Derek respondeu, sem tirar os olhos da tela. — Vamos torcer pra ser só mau contato dos sensores. E não um tumor.
— Se algo der errado, nossa pesquisa pode ir por água abaixo. — Alina suspirou. — E eu tô... muito animada com esses resultados.
— Estamos avançando bastante. — ele disse, agora olhando para ela. — De verdade.
— Mapear o cérebro humano... — Alina balançou a cabeça, meio sorrindo. — Ainda parece surreal quando eu falo em voz alta.
Derek apoiou os braços no balcão, num tom casual demais para ser inocente.
— Então... pizza, vinho e filme hoje à noite?
— Dei folga pra Josie. — Alina respondeu sem pensar muito. — Então teria que ser na minha casa, depois que as meninas dormirem. A Sophia voltou a morar com a Callie, então ficamos só eu e as gêmeas.
— Ótimo. — Derek sorriu. — A Meredith tá de plantão, então vou ter que levar as crianças também.
Alina estreitou os olhos e apontou um dedo acusador na direção dele.
— Han han han.
— O quê? — Derek fez a melhor cara de desentendido.
— Eu sei exatamente o que você tá fazendo.
— Não tô fazendo nada. — ele rebateu rápido demais.
— Amanhã é Halloween. — Alina disse, já se afastando. — Aniversário da morte do meu irmão. Você tá tentando me manter ocupada.
— Nada disso. — Derek respondeu, um pouco menos convicto.
Ela deu alguns passos, então olhou por cima do ombro.
— Eu te conheço, Derek Shepherd. — disse, com um meio sorriso cansado. — Eu te conheço.
E seguiu pelo corredor, deixando para trás o som constante das máquinas... e um amigo que a conhecia quase tão bem quanto ela mesma.
[...]
Quando Jackson encontrou Alina no estacionamento do hospital já passava da meia-noite. Ela estava encostada no carro, sapatos na mão, o cabelo preso de qualquer jeito, exausta do tipo que não vinha só do corpo.
— Você sempre sai por aqui quando quer evitar alguém. — ele disse, sem acusação.
Alina sorriu de canto.
— Você sempre sabe onde me encontrar.
Ficaram em silêncio por alguns segundos. O tipo de silêncio que não constrange, pesa.
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Código Azul
FanfictionAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
