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Seattle, Washington – 2010

O sistema suprarrenal reage ao estresse liberando hormônios que nos deixam alerta e reativos. O problema é que ele não sabe diferenciar entre um simples nervosismo e um desastre iminente. Para o corpo, tudo é urgente: um choro no meio da noite, um atraso na creche, uma discussão na sala de cirurgia. E, às vezes, no meio disso tudo, fico me perguntando se sou mais parecida com meu sistema suprarrenal do que gostaria. Sempre pronta para reagir, mesmo quando tudo o que eu precisava era respirar.

Alina havia se mudado completamente para a casa de Alex, alugando seu antigo quarto. Era quase como reviver os tempos de internos, compartilhando rotinas caóticas e pequenos momentos de normalidade. O quarto que agora ocupava possuía uma cama grande e três berços organizados de maneira quase improvisada, mas funcional. Suas antigas residências haviam sido vendidas, e ela finalmente retornara às salas de cirurgia. No entanto, o vazio no peito permanecia constante, uma lembrança dolorosa de tudo que havia perdido.

Enquanto se dirigia à cozinha naquela manhã, seus olhos recaíram sobre o calendário pendurado na parede. Restavam apenas uma semana para o fim do ano, e, em breve, completaria um ano desde que Mark havia morrido. Ela respirou fundo, sentindo o peso da saudade se alojar no peito como uma âncora. Mas Alina se forçou a focar no presente.

Callie havia finalmente encontrado um plano cirúrgico para restaurar a mão de Derek. Com o apoio de Jackson, retirariam um nervo da perna de uma das irmãs de Derek e o transplantariam para a mão dele. Alina fora convidada a assistir à cirurgia, tanto para dar apoio a Derek quanto para tranquilizá-lo. Contudo, sua manhã havia sido tumultuada: suas três filhas decidiram que não queriam ficar na creche, transformando o início do dia em uma batalha repleta de lágrimas e negociações. Ao final, conseguiu deixá-las lá, sentindo-se exausta, mas grata. Sofia finalmente estava novamente passando semana sim, semana não, com elas. E isso trazia um alívio ao coração de Alina.

Abrindo a porta da sala de reuniões, foi recebida por olhares curiosos. Sentiu o leve peso da expectativa e sorriu, um gesto automático. Seus olhos recaíram sobre Lizzie Shepherd, que se levantou com um sorriso largo.

— Alina! Quanto tempo, querida! — Lizzie caminhou até ela com os braços abertos, a energia dela preenchendo o espaço.

Alina retribuiu o abraço com um sorriso caloroso, apreciando o conforto inesperado.

— Lizzie, é tão bom te ver! — ela respondeu, apertando-a com carinho.

Lizzie hesitou por um momento, o olhar ligeiramente pesaroso.

— Eu sinto muito pelo... — começou, mas Derek cortou rapidamente.

— Vamos voltar ao assunto, por favor? — disse, lançando à irmã um olhar firme, que não disfarçava a irritação.

Lizzie arqueou uma sobrancelha, claramente pouco intimidada, antes de dar de ombros e se sentar novamente. Alina ocupou uma cadeira ao lado de Meredith, que a cumprimentou com um sorriso discreto.

— Oi. — Meredith sussurrou.

— Oi. — Alina respondeu, sentindo o cansaço suavizar-se sob o toque de cumplicidade.

Jackson retomou a explicação sobre o procedimento, mas o humor ácido de Derek não tardou a se manifestar.

— Pode haver desconforto temporário... — começou Jackson.

— Meses! E quando ele diz desconforto, é uma dor horrível. — Derek interrompeu, cruzando os braços com uma expressão exasperada.

Lizzie revirou os olhos teatralmente.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora