Seattle,Washington - 2005
O truque para sobreviver ao internato de cirurgia é negar.
Negar estar cansado, negar sentir medo, negar a vontade de ser bem sucedido, e acima de tudo negar estar negando.
Cirurgiões só veem o que querem ver, só acreditam no que querem acreditar.
Mentem tanto pra si mesmos, que depois de um tempo as mentiras começam a parecer verdade.
Negam tanto, que não reconhecem a verdade pairando diante do próprio nariz.
Mas no fim, negar não tornava mais fácil?
Na última semana tudo que Alina vem fazendo é negar, negar tudo possível pra sobreviver a aquela semana. E no fim do plantão de sexta-feira, ela estava acabada.
Naquele instante, sentada no bar do Joe com Izie, Meredith e George, ela se arrependeu de se oferecer a Bailey para cobrir o serviço de Cristina.
Se dividindo entre o serviço de Derek, Burke, suas horas obrigatórias na emergência e toda a papelada pra atualizar, ela estava a beira da exaustão.
— Eu tô tão ligada que preciso de uma garrafa de tequila pra conseguir apagar. — Alina reclamou, fechando os olhos e esfregando as têmporas.
— Você trabalhou feito louca essa semana, nunca vi alguém fazer tantos plantões. — Izie disse, enchendo o copo e entregando a amiga.
— Não tive tempo de passar na Cristina quando saí, alguém viu se ela tá bem? — Meredith perguntou, sentando a mesa com os amigos e um copo de cerveja na mão.
— Eu passei na Cristina quando sai do hospital, ela parecia bem. — George disse, sentando-se logo após a Grey.
— Ninguém passa pelo que ela passou e supera assim tão rápido. — Izie rebate, olhando entre Meredith e Alina a procura de alguma resposta.
— Ela pode. — George afirmou.
— Ela tá legal. — Meredith disse, olhando na direção de Alina.
— Já superou. — Alina confirmou, acenando pra Meredith.
— Até demais. Ela é fria. — Izie insistiu.
— Ela é guerreira, tem gelo nas veias, encara qualquer coisa. — George retrucou, assegurando que a amiga estava bem.
— Ela perdeu um bebê e uma trompa de falópia e tá lá na boa como se nada tivesse acontecido. Ela é minha amiga também, mas tá agindo como se não tivesse emoções, como se não tivesse alma. — a Stevens listava como se Cristina fosse o pior ser humano do mundo, aquilo deixou Alina completamente irritada.
— Ela vai ser uma ótima cirurgiã. – A Koracick rebateu com a voz firme, encarando Izie.
— Ah qual é Ali, você é ótima e não é desalmada. — Izie defendeu.
— Não queira me ver desalmada, há um boato por aí que os Koracick são venenosos como cobras. — Alina sorriu de lado ao falar, calando a Stevens completamente.
— A verdade é que se você não demonstra fraqueza, você chega ao topo. — George afirmou, olhando entre as amigas.
— Tem gente que prefere guardar os sentimentos. — Meredith completou, matando de vez o assunto sobre a Yang.
Alina sorria enquanto encarava a garrafa de tequila na sua frente, enquanto pensava em Cristina, no quanto a amiga fingia estar bem, negando a realidade.
E em como ela estava negando também, ao dizer aos outros amigos que Cristina havia superado.
[...]
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Código Azul
Fiksi PenggemarAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
