Seattle, Washington - 2011
Foi isso que eu aprendi no meu primeiro ano da faculdade de medicina: pense muito bem antes de querer se tornar um cirurgião. É uma escolha que exige cem por cento de dedicação. Não podemos estar distraídos quando entramos em uma sala de cirurgia. Quando um paciente está sobre a mesa, completamente à nossa mercê, ele precisa confiar que, no instante em que fizermos o primeiro corte, sabemos exatamente o que estamos fazendo.
Nenhuma outra especialidade exige tanto tempo, tanta concentração e entrega absoluta.
Exceto, talvez... ser mãe.
O caminhão de mudança ocupava metade da rua quando Alina estacionou o carro atrás dele. A casa nova ainda cheirava a tinta fresca e madeira limpa, um cheiro de começo. Ela desceu, respirou fundo e sorriu antes mesmo de fechar a porta.
— Certo, meninas. — disse, soltando as crianças das cadeirinhas. — Casa nova. Regras novas. Bagunça liberada hoje.
— Obaa! — Sophia comemorou, já descendo sozinha, dona do mundo aos quase cinco anos.
As gêmeas vieram logo atrás, cada uma segurando uma boneca, observando tudo com curiosidade séria, como se estivessem avaliando se aquele lugar merecia confiança.
A porta da frente estava escancarada e, lá dentro, o caos já tinha começado.
— Isso aqui vai na cozinha ou no quarto? — Alex gritou, carregando uma caixa enorme, claramente pesada demais pra ele.
— Nenhum dos dois. — Cristina respondeu, sentada em outra caixa, bebendo café. — Isso vai pro inferno. Está escrito "coisas da faculdade".
— Ei! — Alina entrou rindo. — Respeito com as minhas relíquias traumáticas.
— Trauma não é relíquia. — Cristina rebateu.
— Cristina, ajuda ou atrapalha. Escolhe. — Meredith disse, surgindo da escada com uma caixa menor e Bailey pendurado em um dos braços.
— Eu estou supervisionando. É um papel essencial.
— Zola, não corre! — Derek chamou do corredor, entrando logo atrás dela, com outra caixa equilibrada no ombro.
Jackson apareceu da cozinha, mangas da camisa dobradas, já suado.
— Boa notícia: a geladeira funciona. Má notícia: alguém tentou ligar o fogão sem saber onde fica o gás.
— Alex. — todos disseram ao mesmo tempo.
— O quê? Eu tava testando. — ele se defendeu.
Callie entrou logo depois, carregando Sophia nos braços.
— Essa casa é incrível, Ali. — disse. — Luz boa, espaço, quintal... é uma casa de verdade.
Alina parou por um segundo no meio da sala. Caixas empilhadas, vozes cruzadas, passos, risadas, crianças correndo de meia pelo chão de madeira.
Uma casa de verdade.
Sophia escorregou dos braços de Callie e correu até ela.
— Mamãe, esse quarto é meu? — apontou para uma porta aberta.
— Não, filha. — Alina respondeu sem hesitar. — Easa é a lavanderia. Os quartos são lá em cima.
As gêmeas entraram na lavanderia quase ao mesmo tempo, explorando cada canto como se fosse um território recém-descoberto.
— Elas gostaram. — Meredith comentou, se aproximando.
— Eu também. — Alina disse baixo.
O resto da tarde passou entre caixas abertas, pizza fria em cima do balcão e discussões inúteis sobre onde ficaria o sofá.
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Código Azul
FanficAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
