Seattle, Washington - 2006
Um bom jogo pode nos fazer pular da cadeira, jogos tem haver com glória, dor e narração, lance a lance. Mas existem jogos menos emocionantes, os jogos que cada um de nós joga sozinho.
— Cara, elas estão tricotando num bar? — Joe perguntou a Derek, que estava sentado numa mesa a alguns passos de onde Alina e Meredith estavam sentadas, com seus novelos de lã e agulhas nas mãos.
— Como amigo eu devo dizer. — Derek disse, se aproximando da duas. — Vocês estão esquisitas.
— Estamos fazendo suéters. — Meredith explicou.
— Ela quer dizer que estamos tentando fazer. — Alina encarou Derek com uma sobrancelha arqueada.
As últimas semanas foram uma loucura e passaram mais rápido que Alina pôde perceber. Meredith e George ainda não se falavam, o O'malley agora saia com uma residente da ortopedia. Izie estava apaixonada por um paciente, e Mark ainda não havia respondido o recado de Alina. O que a fez se arrepender de ter mandado. Então, por sugestão de Izie, as três fizeram um voto de castidade, e tricotavam pra afastar os pensamentos sensuais.
— Estão tricotando num bar, não se tricota num bar, estão assustando os clientes. — Joe bufou, passando para trás do balcão de novo.
— Por que vocês não bebem alguma coisa? — Derek sugeriu.
— Não podemos, agora somos celibatárias. — Meredith respondeu sem tirar os olhos do que fazia.
— Da última vez que bebi sozinha aqui acabei na cama de quem não devia. — a Koracick suspirou, lembrando da última vez que conheceu um homem naquele bar.
— Ele não retornou seu recado né? — Derek perguntou cruzando os braços. Naquele momento Alina se arrependeu de ter contado a ele sobre a mensagem que deixou na caixa postal do Sloan. — Falta de avisar não foi.
— Somos celibatárias e beber não combina com celibato. Porque toda vez que a Ali e eu bebemos muito, acabamos nuas na cama de alguém. — Meredith interviu, percebendo o desconforto da amiga.
— Resumindo, somos celibatárias e estamos tricotando suéters. — Alina completou, voltando ao seu tricô.
— Vocês duas? Celibatário? não acredito.
— Chega de homem. — a Grey anunciou.
— Chega. — Alina concordou.
[...]
Os internos estavam na galeria assistindo mais uma das cirurgias de Burke, a terceira naquele dia. Alina, Meredith e Izie tricotavam ainda, enquanto Cristina esbravejava sobre a noite de jogos em casal que ela e Burke tiveram com George e Callie.
— Quem não conhece a Madonna? — a Yang vociferou, andando de um lado para o outro.
— Não sabe perder. — Izie disse, como se estivesse espirrando. O que fez a Grey e a Koracick rirem.
— Eu sei perder sim... — Cristina disse virando de costas para as amigas, antes de se voltar novamente pra elas. — E daí se eu sou assim? O princípio de todo jogo é ter um vencedor, um primeiro lugar.
— Acho que a Cristina tá certa. — Alina disse, largando o tricô sobre o colo. — Você quer que o segundo melhor cirurgião opere você? Não, você quer o primeiro.
— O segundo lugar é medíocre. Concordar com mediocridade é um sinal de baixa autoestima e ética profissional abaixo dos padrões.
— Tem que tirar o George de lá e mandar ele de volta pra casa.
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Código Azul
Fiksi PenggemarAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
