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EM ALGUM LUGAR NÃO LOCALIZADO NO RADAR DAS EQUIPES DE BUSCA - 2010

Sempre me perguntei o que mantém as pessoas firmes em momentos de desespero.

É o instinto de sobrevivência ou a esperança de que, no final, tudo vai se resolver?

No fundo, eu sempre acreditei que existe uma força maior que nos guia e protege.

Mas agora, com o coração disparado e o medo tomando conta, só consigo me perguntar: será que essa força ainda está comigo? Será que tudo o que amo ficará para trás?

Tudo aconteceu tão rápido... a queda, o impacto, a escuridão. Mas não é a dor física que me assusta... é o vazio, o silêncio ao meu redor. Será que sobrevivi para enfrentar algo ainda mais difícil? Ou será que estou presa em um limbo, esperando respostas que nunca virão? Eu só espero uma coisa: que, onde quer que esteja, Mark esteja seguro.
Porque, por ele, eu lutaria para voltar, mesmo que o mundo inteiro me tivesse abandonado.

O silêncio que se abalou ao impacto era surreal, quebrado apenas pelo som de folhas balançando ao vento e pequenos estalos de madeira quebrada. Alina apertou os olhos,respirando com dificuldade, sentindo cada músculo do seu corpo reclamando de dor. Tudo ao seu redor parecia desolado, uma clareira aberta à força pelo impacto violento.

Não havia sinal de outros sobreviventes, além dela e Derek, de gritos ou de movimento. Apenas árvores caídas, pedaços retorcidos de metal, e o cheiro de combustível no ar. Alina tentou se levantar, mas seu corpo não respondeu completamente.

—Alina! Por favor, responda! — a voz de Derek voltou a alcançar seus ouvidos. — Me diz que você tá viva!

Reunindo todas as forças que tinha, ela se arrastou lentamente, gemendo a cada movimento. A terra fria e úmida sob suas mãos era o único suporte que tinha, enquanto tentava se aproximar dele.

Após o que pareceu uma eternidade, Alina chegou até Derek. Ele estava preso em um grande pedaço do avião que havia caído junto com ele, o metal esmagando sua mão, cortando a carne a fundo. Ele lutou para se soltar, mas sua expressão de dor era evidente.

— Derek... — Alina murmurou, uma voz fraca. Se apoiando numa árvore para se manter de pé.

Ele olhou para ela, os olhos arregalados de desespero e desespero.

— Você tá bem? Tá sentindo algo? — Ele perguntou, visivelmente preocupado.

— Tô sentindo a morte... — ela engoliu em seco, cada palavra exigindo um esforço imenso. — Mas antes, eu preciso tirar você daí. Temos que achar os outros.

— Você está machucada! Tá mal parando em pé. — Derek balançou a cabeça, frustração clara em seu rosto.

Ignorando suas palavras, ela continuou a se aproximar, cada movimento causando uma dor que fazia seus olhos lacrimejarem. Sua roupa estava rasgada, e sangue escorria de cortes profundos em sua barriga, braços e pernas. Quando finalmente chegou perto de Derek, respirava com dificuldade, mas não parou.

Ela apoiou o corpo no metal, tentando encontrar uma maneira de aliviar a pressão que pegou a mão de Derek.

— Isso não vai funcionar. — ele disse, com a voz embargada. — Você não tem força suficiente.

— Não vou deixar você aqui. — ela respondeu, determinada, embora seus braços tremessem com o esforço.

Alina agarrou o pedaço de metal e puxou com todas as forças. A dor lancinante em seus músculos quase a fez desistir, mas ela continuou. O metal rangeu levemente, mas não cedeu.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora