Seattle, Washington - 2008
Toda célula do corpo humano se regenera, em média, a cada sete anos.
Como as cobras, a nossa maneira, nós mudamos de pele.
Biologicamente, somos pessoas novinhas em folha.
Podemos parecer iguais, parecemos mesmo.
A mudança não é visível, pelo menos não na maioria de nós. Mas nós mudamos totalmente, completamente, pra sempre.
DOIS MESES APÓS O TIROTEIO
Dois meses horríveis. Tanto para Alina quanto pra aqueles próximos a ela.
Há dois meses ela havia sido baleada, três tiros. Ela devia estar morta. Mas por algum motivo, sobreviveu.
Nos primeiros trinta dias, ela desejou estar morta. Em toda sua vida, nunca havia sentido tanta dor. E após dez dias de coma, uma infecção pós operatória e seis paradas cardíacas. Ela finalmente estava se recuperando.
Tom e Catherine haviam deixado o hospital há uma semana, após um mês e meio ao lado da filha. Cuidando da recuperação dela, e deixando os médicos loucos.
Ao olhar o quarto vazio ela se sentiu triste, havia acostumado com a presença constante e escandalosa dos dois. Mas por outra lado, ela se sentia leve, a mente em paz.
Derek havia se recuperado rápido da cirurgia, ele visitava Alina regularmente. Assim como todos os outros.
Ela se lembrava de cada detalhe daquele dia. Se lembrava do medo que sentiu ao ver Derek sendo baleado. O desespero ao se levantar e ver aquele homem mirando na cabeça de Cristina. A agonia ao ver Meredith entrar lá e não poder fazer nada. E finalmente a dor lacerante de ser baleada. Toda vez que fechava seus olhos, ela via o rosto de Gary Clark. A atormentando até mesmo em seus sonhos.
Jackson passava no quarto dela a cada duas horas quando estava disponível. Ele não conseguia tirar da mente aquela cena, dela sendo baleada e depois praticamente morrendo em seus braços.
Por dois meses Mark a observou, ele ficava no hospital dia e noite. Guardando a porta do quarto de Alina, mas não entrava.
Ele nunca havia sentindo tanto medo e tanta dor quanto naquele maldito dia.
— Você está bem melhor hoje. — Teddy disse, auscultando o coração de Alina. — Respira fundo.
— Então, eu vou poder ir ao casamento da Cristina né? — Alina questionou, olhando Teddy.
— Se você continuar estável. — Teddy disse, pendurando o estetoscópio em volta do pescoço.
— Eu tô bem Teddy! Juro. — Alina garantiu. — Eu sou madrinha, eu vou ao casamento. Eu faço como a Cinderela, vou ao casamento e volto direto pra cá depois. Antes da meia noite.
— Vai depender de como estão os seus exames. — Teddy insistiu. — Fui ameaçada pelos seus pais por uma vida toda, se algo te acontecer eu nunca mais vou conseguir praticar a medicina.
— Estarei em uma casa cheia de médicos, que mal pode acontecer? — Alina questionou, cruzando os braços como uma criança mimada. — Já fui liberada pra ir pela geral, só falta a cardio. Por favor Teddy! Da última vez que Cristina entrou num vestido de noiva, Meredith e eu tivemos que cortar ele com a tesoura. Preciso estar lá.
— Alina, da última vez que você me garantiu que estava bem pra receber alta, você teve uma parada cardiorespiratória. — Teddy a repreendeu, arqueando as sobrancelhas. — E isso foi há dez dias.
— Faço aniversário em vinte dias. — Alina falou quando Teddy estava quase na porta do quarto. — Pode pelo menos me prometer que vai me dar alta até lá? Não quero comemorar meus vinte e oito anos enfiada numa cama de hospital.
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Código Azul
FanficAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
