Seattle, Washington - 2011
Todo mundo que já precisou tirar as amígdalas sabe que nada em hospital é barato. Manter as portas abertas custa caro demais, números grandes demais para fingir que não existem.
Isso significa vestidos elegantes, sorrisos treinados, maquiagem impecável e a habilidade quase artística de convencer pessoas muito ricas de que ajudar não é um favor, é um privilégio.
Jackson estacionou em frente à casa de Alex e desligou o carro, conferindo o relógio no painel. Ainda tinham tempo, mas conhecia Alina o suficiente para saber que "tempo" nunca significava calma.
Quando a porta se abriu, ele esqueceu completamente qualquer pressa.
Alina surgiu no topo da pequena escada, ajustando a alça do vestido com um gesto distraído, como se não estivesse prestes a causar um curto-circuito em qualquer ambiente que entrasse.
O vestido era preto, justo na medida certa, abraçando as curvas sem esforço, com um decote profundo nas costas que deixava a pele à mostra de forma quase provocadora. O tecido caía como se tivesse sido feito sob medida, marcando a cintura, alongando as pernas. O cabelo estava solto, levemente ondulado, e a maquiagem realçava os olhos com uma precisão perigosa: nada exagerado, tudo calculado.
Sexy sem pedir permissão.
Jackson saiu do carro devagar, ainda observando, um sorriso lento surgindo no rosto.
— Uau... — ele disse, sincero. — Acho que os velhos ricos não têm chance hoje.
Alina desceu o último degrau, pegando a bolsa e as chaves, arqueando uma sobrancelha.
— Isso foi um elogio profissional ou pessoal?
— Impossível separar os dois quando se trata de você. — Jackson respondeu, oferecendo o braço. — Você tá... — ele fez um gesto vago, como quem procura a palavra certa. — Maravilhosa.
Ela riu baixo, aceitando o braço dele.
— É só um vestido.
— Não. — Jackson negou com a cabeça. — Essa é a Alina que eu conheço.
Ela respirou fundo por um instante, sentindo aquele comentário mais do que gostaria de admitir.
— Então vamos ver se ela ainda sabe jogar.
[...]
O trânsito na rua do evento fluía devagar demais para os nervos de Alina. As luzes da cidade refletiam no vidro, misturando-se ao brilho do vestido que ela usava. Jackson dirigia com uma mão só no volante, a outra apoiada despreocupadamente, mas o olhar dele não parava de voltar para ela.
Dessa vez, não foi um olhar rápido ou automático. Foi atento.
— Tá tudo bem? — perguntou, mais sério.
Alina soltou o ar devagar, apoiando a cabeça no encosto.
— Tô nervosa. — admitiu. — Já faz um tempo que não fazemos isso.
Jackson sorriu de canto, aquele sorriso fácil de quem conhecia aquele mundo como a palma da mão.
— Relaxa. Esse é o nosso habitat natural. — disse. — E você é a melhor em conseguir doações dos velhos ricos.
Ela soltou uma risada curta, sem humor.
— Não sei, Jack. Quando penso nisso, vejo a Alina do passado. Despreocupada. Corajosa. Aquela que entrava numa sala cheia de tubarões sem piscar.
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Código Azul
FanficAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
