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Seattle, Washington - 2011

O fracasso é inevitável.
Todo cientista aprende isso cedo ou tarde. Ouvindo um não, depois outro, e mais outro. Eram esses que moldavam os que ficavam. Os que insistiam. Os que mudavam o mundo.

No laboratório, o zumbido constante das máquinas parecia pulsar junto às luzes frias do teto, preenchendo o espaço com uma inquietação quase viva.

Callie e Alina permaneciam sentadas lado a lado havia mais de trinta minutos, imóveis, como se qualquer movimento pudesse quebrar o frágil equilíbrio daquele momento. À frente delas, a porta fechada parecia uma provocação silenciosa.

Os testes finais da fase dois do estudo de sensores cerebrais deveriam ter começado há dez minutos.

Callie foi a primeira a ceder à tensão.

Ela soltou um suspiro pesado e passou a mão pelos cabelos, os dedos trêmulos.

— Cadê o Derek? — murmurou, virando-se para Alina. — É o último passo da fase dois... e ele simplesmente não aparece.

Alina desviou o olhar da porta, apertando os lábios antes de responder:

— Ele tá naquela reunião chique com os homens do governo. O Hunt praticamente arrastou ele pra lá.

Callie endireitou a postura.

— Ele não vai aceitar, né?

— Ele diz que não... — Alina suspirou. — Mas parece ser uma proposta grande.

— Não. — Callie balançou a cabeça, o coração acelerando. — Ele não pode. E o nosso trabalho? Tudo o que a gente construiu?

— A gente consegue continuar sem ele, se for preciso. Talvez seja até melhor pra carreira dele.

— Não fala isso. — A voz de Callie falhou. — Não agora. Nós começamos juntos. Desenvolvemos juntos. Ninguém abandona o barco no meio da tempestade.

Alina abriu a boca para retrucar, mas fechou novamente.

— A gente nem sabe o que eles querem de verdade. — disse, mais baixo. — Vamos respirar... e adiantar os testes enquanto ele não chega, tá?

Ela forçou um sorriso ao se levantar, mas os olhos traíam sua inquietação.

Uma proposta do governo não era pouca coisa. E Derek sempre fora ambicioso, brilhante, faminto por reconhecimento. Alina pensou em Meredith, nas crianças... e nela mesma. No vazio que aquela escolha poderia abrir.

Queria que ele tivesse tudo.

Mas não queria perdê-lo.

Sentia-se presa entre desejar o melhor para ele... e temer o que isso custaria a todos.

— Tá bem... — Callie murmurou. — Eu só... tô com um pressentimento ruim.

— Eu também. — Alina confessou.

Callie se aproximou do computador e sentou ao lado dela. Na tela, os resultados dos últimos testes piscavam em gráficos quase perfeitos. O tipo de conquista que exigia anos de trabalho... e uma confiança absoluta entre parceiros.

Foi então que a porta se abriu com força.

— Ah, não, não, não! Ela não vai a lugar nenhum!

A voz de April atravessou o laboratório como um alarme.

Ela surgiu no vão da porta completamente fora de contexto: vestindo um robe branco felpudo, cabelos presos em dezenas de bobes coloridos, expressão desesperada e determinada ao mesmo tempo.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora