"memórias vem e vão, mas a dor que carrego em meu peito parece não desaparecer nunca"
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—Beomgyu, querido — ouvi assim que atendi a ligação — Sou eu, a mãe do yeonjun... será que posso te pedir um favor? — falou um pouco rápido, parecendo ocupada
—Ah..Oi, Sra. Choi, tudo bem, o que a senhora precisa?
—Hoje eu e meu marido vamos para um casamento de um antigo colega assim que eu sair do escritório, mas o yeonjun está meio esquisito desde ontem. Ele disse que não está se sentindo muito bem e eu não queria deixá-lo sozinho, mas não posso cancelar o compromisso... — Suspirou preocupada — Eu sei que ele já está grandinho, mas será que você poderia passar lá em casa pra fazer companhia pra ele? Acho que ele vai ficar mais feliz se você estiver com ele — continuou dizendo — a reunião começa em cinco minutos, senhora — uma voz diferente soou pelo telefone, gritando apressada — Se que é final de semana, mas se você puder fazer isso ficarei muito grata! Agora preciso voltar ao trabalho, um beijo querido — falou ainda mais rápido — Tem acompanhamentos na geladeira, comam a vontade — praticamente gritou antes de desligar o telefone.
Nem pude dar a ela uma resposta, ela deve estar muito mais ocupada do que imaginei que seria. Assim que desliguei recebi uma mensagem dela.
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Número desconhecido
A senha da porta é 990919
Jun é dorminhoco, vai te deixar plantado na entrada hahaha
Tem remédios no armário da cozinha caso precise!
Obrigado Beomgyu, você é um anjo 😇
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Corri no armário para escolher uma roupa, já que passei a manhã toda de pijama.
—Dália eu estou indo ver o Yeonjun — gritei passando pela porta da cozinha, onde ela estava
—Ei mocinho, pode parar aí! — Congelei no lugar, me virando vagarosamente para ela, que vinha em minha direção — Não vai almoçar em casa? — neguei com a cabeça
—O yeonjun tá meio doente e eu vou fazer companhia pra ele — sorri — Eu já vou indo, tá bom? — me virei novamente, quando fui puxado pelo gorro do moletom
—Leva isso pra ele então — disse indo para a cozinha e voltando com vários potinhos de comida e bolo — ele vai ficar melhor se comer bem — me trouxe uma bolsa térmica, então coloquei tudo dentro — Não volte tarde, não se esqueça que amanhã seu pai vai estar em casa logo pela manhã e vai almoçar com os executivos, você tem que estar aqui! — ficou séria por um instante,mas logo abriu um sorriso — Espero que seu amigo melhore logo — gesticulou para que eu fosse, voltando para a cozinha.
Dália me faz lembrar da minha mãe, mesmo que eu tenha poucas memórias com ela. Ela me passa uma sensação de conforto e cuidado em cada frase e gesto, sou muito grato por tê-la comigo. Se não fosse ela, não teria aguentado tanto nesta casa.
Corri até a garagem, pegando minha bicicleta para chegar mais rápido. Quero vê-lo logo e abraçá-lo.
[...]
Entrei no quarto e vi Yeon aconchegado na cama, dormindo pesado. Me aproximei, retirando algumas almofadas que estavam do seu lado para poder sentar. Seus lábios pálidos combinam com sua pele tão branca quanto papel. Corro meus dedos levemente sob sua pele um pouco gélida, talvez pela temperatura amena do quarto.
— Ar condicionado no último, sério? — pensei alto olhando a temperatura do aparelho — você é maluco — resmunguei, desligando pelo controle
Segurei-o pela mão, seus dedos levemente arroxeados, pele macia e fria. Olhos fechados em um sono calmo, mas profundo. Por um momento sinto-me atordoado com a sensação de tocá-lo. Lembranças fazem minha cabeça girar, tudo parece tão real de repente.
Pele fria.
Punhos ensanguentados.
Lábios pálidos.Parecia um sono profundo, mas já não havia vida.
"Não há mais o que fazer"
Palavras indo e voltando em minha mente.
Sinto minhas mãos tremerem ao passo que perco o controle de mim mesmo. Me levantei depressa, com as mãos no rosto, só então percebendo que já haviam lágrimas escorrendo vagarosamente de meus olhos.O que há de errado? Qual o meu problema?
"Você vai perdê-lo assim como perdeu Soojin". Uma voz ecoa pela minha mente.
"Ninguém fica"Nada disso é real.
Nada disso é...Não pode ser.—Gyu? — a voz de yeonjun ecoou.
"Você vai perder todo mundo".
Mesmo tentando, não consigo me recompor.
— Ei, o que aconteceu — segurou meu rosto em suas mãos — Beomgyu, olha pra mim — pediu, quando finalmente senti o ar voltar aos meus pulmões. Seco o rosto rapidamente antes de olhar em seus olhos, sentindo a mente acalmar ao vê-lo sorrindo de leve, parecendo tentar me fazer relaxar — Tá tudo bem?—Eu me senti zonzo de repente...
—Se sente melhor? Quer algo? — segurou minha mão — pode dizer... — me encarou aflito
—Não se preocupa, tô bem! — pareceu duvidar — juro! — forcei um sorriso, logo recebendo um abraço apertado — Estava com saudades — disse, com o queixo apoiado em seu ombro
—Senti mais que você — ousou como se houvesse uma competição a se ganhar. Em segundos se agarrou a mim novamente, puxando-me para o meio da cama e deitando a cabeça na minha perna — deixa eu ficar só um pouquinho assim, tá bom — sorri pelo seu pedido inegável, acariciando seus cabelos
Tenho me sentido cada vez mais ansioso e as crises se tornaram mais recorrentes. Mas eu não sei o porquê. Não importa quanto tempo passe, aquela imagem sempre estará em minhas memórias.
Tento me convencer de que está tudo bem agora.
Yeonjun está comigo, eu não vou perde-lo
Não vou.Mas a verdade é que quanto mais eu tento fugir, mas o medo me persegue.
......
Cap curtinho, mas já já lanço outro! Obrigado por ler, espero que tenha gostado ❤️
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Ghost (Yeongyu)
FanfictionBeomgyu perdeu a pessoa mais importante para si de uma forma muito repentina. Uma promessa foi quebrada, Sojin não estaria mais lá como disse que estaria. Sua vida parecia estar acabada, os problemas com seu pai ficavam cada dia piores. Não parecia...