— O que é que estás a fazer aqui, Petrus? — A voz de Diana ecoou pelo caminho de terra, interrompendo o silêncio. Ela olhava para ele com uma mistura de confusão e desconfiança, como se estivesse a tentar juntar as peças de um quebra-cabeças que nunca imaginara. A confusão era evidente no rosto dela, mas eu estava igualmente perdida.
Petrus fitou-a por um momento, com os braços cruzados e a expressão séria.
— Estou aqui para levar Catherina, — respondeu, com o tom impassível. — Ela é mais do que aquilo que pensas. Esta rapariga... é a Catherina Caelora.
O ar pareceu gelar à minha volta, e um nó formou-se na minha garganta. Aquele nome – o nome que eu queria evitar desde que saiu pela primeira vez da boca destes desconhecidos que apareceram sem mais nem menos no meu caminho – soou como um estranho eco de algo que não me pertencia.
Virei-me para Diana, que estava mais pálida do que nunca e cujos olhos se arregalaram ao ouvir as palavras de Petrus.
— Catherina Caelora? Não pode ser... — murmurou Diana, dando um passo atrás. — Ela estava desaparecida há vinte anos. Diziam que tinha morrido...
— Mas aqui está ela, bem viva, — respondeu Petrus, o tom frio e distante. — E com uma constelação proibida. Os Magni Stellaris mandaram-me leva-la de volta a Astraeus. Principalmente para ela participar na cerimónia de constelações. Ela não tem outra escolha.
Senti-me ficar gelada por dentro.
— Como assim, não tenho escolha? — A minha voz saiu trémula, e olhei para Diana, à procura de alguma resposta, algum sinal de que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. A minha frustração e raiva aumentaram. — E porquê agora? Por que é que ninguém me disse quem eu era? — Apontei para os dois. — E porque é que parece que vocês os dois sabem muito mais do que eu? Como é que vocês se conhecem?
Diana hesitou, trocando um olhar rápido com Petrus. Ela abriu a boca para responder, — Nós somos-...
Petrus interrompeu-a de imediato, o tom cortante.
— Não interessa como nos conhecemos, — disse, afastando a possibilidade de resposta. — O que importa é que ela entende o que é estar do lado certo desta história, e tu precisas de compreender o que realmente está em jogo.
A interrupção só aumentou o meu desconforto. Havia demasiadas coisas a serem escondidas, e cada vez mais parecia que toda a minha vida era uma teia de segredos e mentiras.
— Eu exijo saber, declarei, mas Petrus limitou-se a lançar-me um olhar frio, como se o que eu dissesse não tivesse importância.
Diana hesitou por um momento, e depois olhou para mim com um olhar que tentava acalmar-me.
— Cate, isso não importa agora... as coisas não são tão simples. E o que o Petrus disse é verdade. Tu és uma Stellaris, e se é realmente verdade que és... a Catherina Caelora... tu és uma das poucas com uma constelação proibida. Há regras que têm de ser cumpridas.
— Regras? Que regras? — interrompi, com a minha frustração a crescer. — O que é essa tal cerimónia de constelações? O que é que acontece?
Petrus suspirou e cruzou os braços, como se estivesse a preparar-se para uma explicação longa.
— A cerimónia de constelações é um ritual que todos os Stellaris passam aos 18 anos, ou quando a sua magia é descoberta. Durante a cerimónia, são ligados à sua constelação de forma permanente, se possuírem a ligação com uma. A magia da constelação marca o corpo do Stellaris com uma tatuagem mágica, geralmente nas costas, e os poderes latentes são despertados. Sem essa ligação, é impossível controlar plenamente a magia, especialmente no caso de constelações proibidas, como a tua.
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O Despertar das Sombras
Kỳ ảoNum mundo onde as estrelas guardam segredos antigos e perigosos, Cate Vesper, uma jovem aparentemente comum, descobre que está ligada a uma constelação proibida, e carrega um destino a que não pode escapar. Com um amuleto misterioso na sua posse e m...
