✧ PETRUS ✧
Acordei com uma sensação de desorientação, o corpo ainda pesado de cansaço. Levei alguns segundos a lembrar-me de onde estava. Não era a cela fria e desconfortável onde tinha passado os últimos dias, mas sim o quarto de Cate. O espaço era simples e acolhedor, e o cheiro a madeira velha e a folhas de livro impregnava o ar. Por um momento, deixei-me ficar deitado, a olhar para o teto, tentando afastar a confusão da noite anterior.
O meu olhar vagou pelo quarto. Havia uma pequena estante de livros junto à parede, com alguns volumes organizados de forma casual. Cate, pelos vistos, gostava de ler. Mas, para além disso, o quarto não revelava muito mais sobre ela. Era um espaço funcional, quase impessoal, como se não quisesse deixar muito de si própria à vista. De alguma forma, parecia combinar com a aura enigmática que a envolvia.
Levantei-me devagar, o corpo a protestar com uma leve rigidez. Quando cheguei à porta para sair, o som de vozes no corredor chamou a minha atenção. Cate e Margarita estavam a falar em voz baixa, e quando abri a porta, ambas se voltaram para mim. Foi então que a notei. Cate estava vestida de forma diferente do habitual – a roupa que usava era bastante mais ajustada ao corpo, mais prática e adequada para combate, já vi Margarita com roupas deste género, então calculei que lhe pertencessem. Algo dentro de mim fez-me perceber a ausência do amuleto que costumava ver pendurado no pescoço dela. Não estava lá.
— Finalmente acordaste — disse Cate, a voz com um tom que não conseguia interpretar. Não era irritação, mas também não havia o calor de uma conversa amigável. — Eu e a Margarita íamos descer para o pequeno-almoço. Podes vir connosco.
Assenti, seguindo as duas pelo corredor, mas o ambiente parecia diferente. Havia algo tenso entre mim e Cate, algo que eu não conseguia identificar, mas que se sentia quase como uma barreira invisível. À medida que descíamos para o salão, perguntei-me o que tinha mudado, e por que motivo a presença dela, que antes me parecia mais tolerável, se tornara novamente algo mais intimidante.
Quando chegámos ao salão principal, a atmosfera pareceu iluminar-se um pouco com o som de vozes e de talheres a tilintar. Lysander e Marcus estavam sentados em uma das mesas, e Cate dirigiu-se para o lugar ao lado de Lysander, iniciando uma conversa descontraída que parecia fluir naturalmente. Senti um formigueiro de irritação no fundo da mente, algo que tentei ignorar, mas que crescia à medida que os dois trocavam palavras e risos.
— Parece que encontraste uma nova companhia para o pequeno-almoço — murmurei, mais para mim mesmo do que para os outros, mas Cate ouviu.
Ela virou o olhar para mim, os lábios a formarem um leve sorriso que não chegava aos olhos.
— Podes sentar-te connosco, Petrus. A mesa é suficientemente grande para todos, ou será que estás a pensar em ficar de pé? — A resposta dela tinha um toque de ironia, e o tom dela era ligeiramente mais frio do que o normal.
Sentei-me, tentando não deixar transparecer o desconforto que me assolava, e comecei a tomar o meu café. Cate e Lysander retomaram a conversa, e, por algum motivo, cada risada ou troca de palavras parecia intensificar a tensão que se formava dentro de mim. Margarita, ao meu lado, tentou distrair-me com um comentário sobre o treino daquela manhã, mas a minha atenção estava mais fixa em Cate do que eu gostaria de admitir. Havia algo errado, algo que não estava a ser dito. E eu estava farto de segredos.
Quando o pequeno-almoço terminou, Lysander e Marcus saíram primeiro. Cate e eu ficámos para trás, enquanto Margarita se preparava para nos conduzir até ao escritório onde Corvus e os outros nos aguardavam. Enquanto caminhávamos pelos corredores silenciosos, não pude evitar notar mais uma vez a ausência do amuleto no pescoço de Cate.
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O Despertar das Sombras
FantasiNum mundo onde as estrelas guardam segredos antigos e perigosos, Cate Vesper, uma jovem aparentemente comum, descobre que está ligada a uma constelação proibida, e carrega um destino a que não pode escapar. Com um amuleto misterioso na sua posse e m...
