Viginti Sex

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CATE

Cinco guardiões rodeavam-me enquanto caminhava pelos corredores do palácio, o tilintar das correntes a cada passo ecoando no silêncio opressor. O peso das algemas e das correntes nos tornozelos era um lembrete constante da minha posição ali, daquilo que eles pretendiam fazer comigo. Tentei manter a cabeça erguida, apesar do olhar pesado de cada um deles, que fazia questão de me recordar o poder que tinham sobre mim. Mas dentro de mim, algo se recusava a ceder.

As palavras de Petrus repetiam-se na minha mente, como um eco persistente. A promessa de que ele não permitiria que aquelas runas me aprisionassem. Pela primeira vez desde que fui trazida para estas masmorras, havia uma faísca de esperança, ainda que ténue. Se ele conseguisse manter a sua palavra... talvez hoje fosse o dia em que tudo mudaria e que poderia sair daqui.

Caminhei, cada passo mais difícil do que o anterior, mas obriguei-me a manter a calma. Não era o momento de fraquejar, nem de mostrar o medo que tentava infiltrar-se em mim. Tinha que acreditar que havia uma possibilidade de escapar a este destino. Porque se me deixasse cair, se permitisse que me quebrassem, então eles teriam vencido. E eu... eu não iria dar-lhes essa satisfação.

Quando finalmente chegámos a uma sala ampla e fria, Michaelius esperava-nos. O olhar dele percorreu-me, avaliando-me como se fosse um mero objeto, algo para ser manipulado e controlado. O nojo nos olhos dele era palpável, mas limitei-me a erguer o queixo, desafiando-o em silêncio.

— Onde está Petrus? — perguntou ele aos guardiões, a voz impaciente.

— Senhor, Petrus deixou uma mensagem, informou que tinha algo a resolver — respondeu um dos guardas. — Disse que estará presente na cerimónia.

Michaelius resmungou algo entre dentes e, com um aceno, dispensou os guardiões. Eles saíram da sala, deixando-nos a sós. Ele observou-me com uma expressão que misturava frustração e uma certa satisfação, como se a minha presença ali fosse o auge da sua superioridade. Sabia o que ele pensava de mim, e isso apenas alimentava a minha raiva.

— Vou preparar-te eu mesmo para a cerimónia — disse ele, num tom seco.

Tirou um conjunto de roupa íntima e um roupão preto adornado com constelações bordadas em fios dourados. O brilho dos bordados destacava-se contra o tecido escuro, uma espécie de ironia cruel, uma homenagem a um poder que eles queriam destruir e dominar.

— Terás de ir assim — explicou ele, como se estivesse a ditar uma sentença. — Precisam de espaço suficiente para as runas.

Observei as roupas e, lentamente, levantei o olhar para ele, mantendo a minha voz firme e carregada de desdém.

— Vou vestir-me, mas não com os teus olhos sobre mim — declarei. A arrogância na minha voz não era apenas um ato de resistência; era a única forma de preservar a dignidade que eles tentavam roubar.

Michaelius revirou os olhos, mas acabou por ceder, virando-se com um suspiro de exasperação.

— Rápido. Não temos o dia todo.

Aproveitei o momento, mantendo-me erguida, apesar das correntes que me restringiam os movimentos, removi os farrapos que tinha sobre o corpo e vesti a roupa íntima e o roupão com a maior dignidade que conseguia reunir. Sabia que o que estava prestes a acontecer seria humilhante, doloroso, mas não me dariam o gosto de me ver desmoronar.

Saímos daquela sala, as pedras frias do chão ecoavam o som das correntes, e cada passo era uma luta entre o orgulho e o peso do que me aguardava. A cada passada, eu tentava manter o olhar em frente, ignorando a presença gélida de Michaelius ao meu lado, que parecia quase saborear cada segundo do meu desconforto.

O Despertar das SombrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora