Triginta Quattuor

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CATE

Assim que a reunião terminou e saí da sala, senti o peso esmagador da minha situação a crescer. Corvus lançou-me um olhar satisfeito, aquele sorriso venenoso que parecia dizer: "Estás exatamente onde te quero." Mantive a postura neutra, fingindo um controlo que estava longe de ter.

Caminhei em direção ao meu quarto, forçando os passos a parecerem firmes, mas por dentro cada passo era uma batalha. Não troquei palavras com ninguém. Se o fizesse, sabia que não seriam minhas. O amuleto garantiria isso.

Quando finalmente fechei a porta atrás de mim, desabei.

Encostei-me à porta, as costas a deslizar pela madeira fria até que fiquei sentada no chão. As lágrimas vieram antes que pudesse sequer tentar reprimi-las. Não eram apenas lágrimas de tristeza, mas de raiva, de frustração, de uma dor que parecia não ter fim. O peito apertava-se, e a respiração tornou-se irregular.

"Como cheguei aqui?" A pergunta ecoava na minha mente, repetitiva e cruel.

Eu sentia-me um peão, uma peça descartável no tabuleiro de Corvus. O homem que descobri ser o meu pai — o homem que pensava estar ao meu lado — tinha destruído qualquer ideia de segurança ou confiança que eu pudesse ter nele.

O meu olhar recaiu sobre o amuleto. A pedra negra no centro parecia calma agora, como se estivesse a dormir, mas eu sabia que era uma ilusão. Aquela pedra não era só uma prisão; era uma corrente invisível que me mantinha acorrentada à vontade de Corvus.

Com mãos trémulas, agarrei o amuleto e puxei, de novo na tentativa de o remover. No início, parecia apenas um objeto comum, mas assim que forcei um pouco mais, a pedra brilhou intensamente, emitindo uma luz negra e pulsante.

A dor veio quase instantaneamente. Era como se cada célula do meu corpo estivesse a ser rasgada de dentro para fora. Soltei um grito abafado, o som ecoando pelo quarto vazio. Era a dor mais horrível que alguma vez tinha sentido, tão profunda que parecia atingir a minha própria alma.

Soltei o amuleto, levando as mãos à cabeça, os dedos queimados pela energia que o objeto emanava. A luz diminuiu lentamente, mas o meu corpo ainda tremia.

"Não podes escapar," sussurrou a voz de Corvus na minha mente. Não era real, mas era como se ele estivesse ali, a rir-se da minha impotência.

— Maldito sejas, — murmurei, encostando a testa aos joelhos, os dedos ainda a latejar da tentativa fracassada.

Com os olhos ainda fechados, senti uma onda de energia percorrer-me. Não era minha. Era algo algo profundo, que parecia crescer rapidamente à minha volta.

O quarto desapareceu num piscar de olhos. O chão frio sob os meus pés deu lugar a uma superfície suave, quase etérea. O ar à minha volta era espesso, mas não sufocante.

Uma luz trémula iluminava o espaço, e antes que pudesse reagir, fui envolvida por uma sensação de calor familiar, como se estivesse a ser transportada para um fragmento da minha própria alma.

Estava num salão grandioso, as paredes de pedra decoradas com tapeçarias antigas e símbolos que não reconhecia. O espaço estava mergulhado numa penumbra, iluminado apenas por uma luz negra e pulsante que vinha de um amuleto idêntico ao meu, suspenso no pescoço de uma mulher alta e imponente. O meu coração quase parou.

Era ela.

A minha mãe.

Os seus cabelos castanhos claros, ondulados e longos caíam-lhe pelas costas como um manto, e os olhos brilhavam como estrelas, carregados de determinação e dor. O corpo dela estava envolvido por uma aura de magia que tremeluzia como fogo prateado, mas havia algo errado. A magia não parecia dela. Era como se estivesse a lutar contra ela mesma, como se algo a estivesse a consumir.

O Despertar das SombrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora