✧ CATE ✧
Passaram-se duas semanas desde que voltei para a Domus Umbrae, duas semanas desde que Corvus me prometeu que me tornaria numa força inabalável. Desde então, os dias foram preenchidos por treinos intensos, onde a minha magia era constantemente desafiada a novos limites. Corvus mostrava-se implacável, mas também estranhamente próximo, e essa ligação crescente com ele deixava-me numa sensação entre o conforto e a dúvida. A sua visão dos Magni Stellaris, a história que ele contava sobre o que nos tinham tirado, ia-se enraizando em mim como uma verdade que começava a fazer sentido, especialmente nos momentos em que me sentia exausta, mas determinada.
Petrus, no entanto, não dava grandes sinais. Desde a última noite em que trouxe Marisia, ele não voltou à mansão. Talvez fosse por estar tão focada nos treinos, mas a verdade é que uma pequena inquietação começava a crescer dentro de mim, uma falta disfarçada pelo ritmo intenso de cada dia.
Enquanto refletia sobre tudo isto, as vozes dos outros no almoço ao meu redor chamavam-me de volta ao presente. Sentada na mesa com Marisia, Margarita, Lysander e Marcus, sentia-me, finalmente, integrada entre eles. Eram como uma pequena família, e estas refeições em conjunto tornaram-se quase rituais de conforto e apoio mútuo.
— Cate? — A voz de Marisia trouxe-me de volta. Ela olhava-me com um sorriso, enquanto eu segurava o jornal nas mãos, as manchetes a falarem dos Magni Stellaris e das suas buscas incessantes pela Domus Umbrae. — Estás a ouvir?
— Sim, desculpa, estava distraída — murmurei, pousando o jornal na mesa. — Parece que estão a fazer de tudo para nos encontrar, hm?
Margarita soltou uma gargalhada, acenando com a cabeça.
— A verdade é que devem estar a gastar toda a magia que têm em feitiços de localização — disse ela, de forma divertida. — E mesmo assim... nada.
— Eles que continuem — comentou Lysander, com um sorriso de satisfação. — Podem tentar o que quiserem; a Domus Umbrae não é um sítio qualquer. As proteções aqui são ancestrais.
Assenti, sentindo um misto de orgulho e segurança ao pensar na força daquela mansão que nos acolhia. A barreira mágica que nos rodeava era o que nos permitia viver aqui, longe das garras do conselho, e também o que me permitia desenvolver a minha magia sem restrições.
Enquanto Lysander falava sobre a missão importante de hoje, observei Marisia, que se mostrava mais feliz do que nunca, o rosto mais corado e os olhos a brilharem com uma vitalidade que não tinha visto nela até então. Era bom vê-la assim, a prosperar entre os dissidentes, como se a mansão lhe tivesse devolvido uma parte dela que antes estava perdida.
— Fazes bem em ir connosco nesta missão, Margarita. Sempre adorei ver a tua magia do ar em ação — comentou Lysander, num tom leve.
— Estou ansiosa para testar algumas coisas novas que andei a praticar, — respondeu ela, sorrindo de forma maliciosa.
Lysander e Margarita adoravam trocar provocações divertidas sobre quem estava melhor preparado para os combates. Era uma leveza que contrastava com a seriedade dos treinos e a iminência da guerra que se avizinha, mas que, de alguma forma, nos permitia aliviar a tensão, mesmo que por uns momentos.
— Sabem que, no final, vou ser eu a sair vitoriosa, não é? — disse Margarita com um sorriso brincalhão, cruzando os braços de maneira desafiadora.
— Claro que sim — respondeu Lysander, revirando os olhos. — Com aquela adaga nova que tanto adoras exibir? — Ele soltou uma gargalhada e continuou num tom mais sério: — Só espero que os Magni Stellaris estejam tão obcecados com as buscas que não reparem no que lhes está a escapar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Despertar das Sombras
FantasyNum mundo onde as estrelas guardam segredos antigos e perigosos, Cate Vesper, uma jovem aparentemente comum, descobre que está ligada a uma constelação proibida, e carrega um destino a que não pode escapar. Com um amuleto misterioso na sua posse e m...
