Duodecim

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Tentei lutar, mas Corvus invocou a sua magia das sombras, e num instante, correntes negras envolveram os meus pulsos e tornozelos, prendendo-me no lugar. A escuridão parecia pulsar à minha volta, e por mais que eu tentasse puxar, não conseguia libertar-me.

— Larga-me porra! — tentei gritar, mas as palavras saíram fracas, quase num sussurro.

Cate virou o olhar para mim, com Margarita já solta, mas visivelmente debilitada. A expressão dela era de puro desprezo.

— Tu achas que podes simplesmente usar as pessoas para conseguires o que queres? — acusou ela, a voz a ganhar força. — A minha mãe morreu por causa de pessoas como tu, que não conhecem outra forma de resolver as coisas senão com violência e ameaças.

Eu fitei-a, sentindo a raiva crescer novamente dentro de mim, mesmo com o corpo a ceder. — Não sabes nada sobre mim, Catherina, — retorqui, tentando manter a voz firme. — Tu não fazes ideia do que está em jogo.

— Mas vou descobrir, — respondeu ela, com uma determinação fria. — E vou garantir que monstros como tu não continuem a destruir o que resta de bom neste mundo.

A escuridão pulsava à minha volta, e por mais que lutasse, as correntes mágicas não cediam. Cada movimento me deixava mais fraco, a energia vital drenada pelo toque de Corvus ainda queimava sob a minha pele. Cate e os outros dissidentes aproximavam-se, ajudando Margarita a levantar-se. Não conseguia acreditar que tudo estava a desmoronar assim tão rapidamente.

Antes que eu pudesse reagir, Corvus fez um gesto com a mão e senti as sombras a apertarem-se ainda mais em volta do meu corpo. Os meus pulsos foram puxados para trás, forçando-me a ajoelhar, e uma nova onda de frustração e raiva cresceu dentro de mim.

— Não vais ficar aqui, Petrus, — disse Corvus com uma frieza no olhar. — Vamos levar-te connosco. Tens muito a responder.

Cate lançou-me um último olhar, os seus olhos a arderem com uma mistura de desprezo e determinação. Havia algo nela que parecia mais forte, mais resoluto, como se aquela situação a tivesse feito amadurecer num instante.

Senti os meus braços a serem puxados com mais força, e as correntes de sombras envolveram-me completamente, enquanto os dissidentes me erguiam do chão. Tentei resistir, mas cada tentativa era inútil, as forças haviam-me abandonado. Tudo o que podia fazer era observar enquanto me levavam para fora da casa, a humilhação e a raiva fervendo nas minhas veias.

Enquanto me afastavam, o frio do ar da noite enchia os meus pulmões e percebi que estavam a conduzir-me de volta à Domus Umbrae. A mansão oculta que eu tinha tentado tanto encontrar, agora tornar-se-ia o meu próprio cativeiro.

Cada passo soava como um eco na escuridão, e eu sentia o peso das correntes mágicas a enfraquecer-me mais e mais. A noite envolvia-nos, e os olhos dos dissidentes brilhavam com uma intensidade predatória, como se estivessem a guiar-me para o meu próprio julgamento.

Quando finalmente chegámos à mansão, Corvus soltou a magia das sombras e empurrou-me para dentro. As portas de madeira antiga rangiam enquanto se fechavam atrás de mim, e eu soube imediatamente onde estava.

As tapeçarias escuras nas paredes e o cheiro de velas antigas confirmavam aquilo que há tanto tempo procurava. Finalmente, eu estava na Domus Umbrae. Mas em vez de ser o caçador, tornara-me a presa.

Cate e Corvus caminharam à minha frente, abrindo caminho por entre os corredores sombrios. Os outros dissidentes seguiram de perto, formando uma espécie de círculo à minha volta. Quando paramos, vi uma cela de pedra com barras de metal rústicas à nossa frente.

— Coloquem-lhe as algemas de controlo, — ordenou Corvus.

Dois dos dissidentes avançaram, carregando um par de algemas metálicas com runas incandescentes gravadas nas superfícies. Reconheci o objeto de imediato. Eram algemas mágicas usadas pelos Custodes e pelos Guardiões Estelares para conter Stellaris perigosos. O poder das runas absorvia a magia, impedindo que fosse usada.

O Despertar das SombrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora