Viginti Quattuor

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CATE

O peso das correntes nos meus tornozelos era uma lembrança constante do meu destino. Há dias que os guardas me mantinham sob vigilância apertada, as algemas nos pulsos limitando qualquer possibilidade de reação.

Quando a porta da cela rangeu, ergui o olhar para ver duas figuras – Petrus e um Guardião Estelar, que desconhecia, ambos com expressões implacáveis. Sabia que chegou o momento da minha tão esperada audiência.

Petrus manteve-se calado enquanto se aproximava de mim, o olhar dele a evitar o meu como se carregasse um fardo silencioso. Mas, enquanto o outro guardião se manteve à porta da cela, ele olhou para a cela do outro lado, onde Marisia se encontrava sentada na sua cama, frágil e desnutrida.

O sussurro escapou-lhe antes que o conseguisse evitar. — Marisia... estás viva...

A surpresa e indignação percorreram-lhe o rosto, mas ele rapidamente controlou a expressão, voltando a focar-se em mim. Senti uma faísca de esperança ao vê-lo murmurar o nome dela. Talvez, por breves instantes, ele visse a verdadeira crueldade dos Magni Stellaris refletida nas sombras daquela cela.

Ele inclinou-se e prendeu-me nos tornozelos um par adicional de correntes, estas ligadas uma à outra e mais curtas que as habituais, abrindo e retirando as anteriores.

Ao dar o primeiro passo, percebi que o comprimento das correntes apenas me permitia caminhar em passos curtos e contidos. Era mais uma forma de humilhação, um lembrete de que não podia escapar, nem mesmo se tentasse. Petrus não proferiu uma palavra enquanto me guiava para fora das masmorras, o outro guardião a observar-nos de perto.

Quando finalmente chegámos à sala de audiência, a atmosfera era pesada e opressiva. Todos os Magni Stellaris estavam presentes, sentados numa disposição semicircular que mais parecia um tribunal. Aquila, ao centro, olhou-me com desdém enquanto eu permanecia em silêncio, as correntes a tilintarem a cada movimento mínimo.

Sentei-me no centro da sala, de frente para todos, com Petrus atrás de mim, e com Michaelius ao seu lado. A voz de Aquila ergueu-se, fria e controlada.

— Catherina Caelora, foste trazida aqui para ficares a conhecer as consequências dos teus atos contra a ordem e a paz de Astralis.

Mantive-me em silêncio, recusando-me a dar-lhes a satisfação de uma resposta. Mas os olhos dele brilhavam com uma crueldade que deixava claro que não me concederiam misericórdia.

Aquila fez um sinal, e um dos Magni Stellaris ao seu lado levantou-se, um pergaminho nas mãos. Era Scorpius, que começou a ler em voz alta:

— Serás sentenciada a uma cerimónia pública em que te serão aplicadas runas de controlo, para garantir que o teu poder não venha a ameaçar Astralis. Estas runas serão a tua "marca" e o teu destino, Catherina.

A lista das runas começou a ser lida, cada uma delas com um nome e propósito específicos. Eram vinte e duas no total, cada uma mais opressiva do que a anterior.

Praevisio Interceptus: Anulará as tuas visões proféticas, transformando-as em ilusões caóticas, sem forma ou sentido. O futuro será para ti um nevoeiro onde te perderás.

Fez uma pausa, saboreando o impacto de cada runa antes de prosseguir.

Ignis Silentium: Silenciará o teu fogo. A chama que antes te servia agora te abandonará, tornando-se imprevisível e instável.

Fortuna Reversus: Esta runa reverterá a tua influência sobre o destino.

Illusio Obscura: Reduzirá as tuas ilusões a meras sombras fracas, revelando-te vulnerável, incapaz de manipular a percepção dos que te rodeiam.

O Despertar das SombrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora