✧ CATE ✧
A luz do sol atravessava as cortinas do quarto, iluminando o espaço com uma suavidade que contrastava com o caos interno que sentia. Acordei lentamente, os meus sentidos ainda presos ao momento da noite anterior. O calor do toque de Petrus, as palavras dele, o sabor do beijo, tudo isso ainda parecia ecoar na minha pele e mente. Era como um sonho, mas o calor no meu peito dizia-me que tinha sido real.
Puxei os joelhos ao peito, abraçando-os, enquanto um pequeno sorriso surgia nos meus lábios. Contudo, a felicidade trazia consigo uma dose de ansiedade. O que aquilo significava para nós? Como é que o momento íntimo que partilhámos encaixava na complexidade desta guerra?
O som de uma batida leve na porta interrompeu os meus pensamentos.
— Sim, entre — disse, ajustando-me na cama.
A porta abriu-se, revelando Margarita, com um olhar sério e determinado que fez a leveza do meu sorriso desaparecer.
— O Corvus quer falar contigo, Cate. Disse que é urgente. — A voz dela não carregava a habitual alegria ou ironia. Algo estava errado.
Levantei-me rapidamente, a leve ansiedade que sentia transformando-se numa tensão mais palpável. Vesti-me apressadamente, escolhendo roupas práticas, mas mantendo o amuleto que Corvus me tinha dado pendurado no pescoço. Era quase instintivo agora; não conseguia separá-lo de mim.
Margarita não disse mais nada enquanto caminhávamos até ao escritório de Corvus. Quando chegámos, ela apenas acenou para que eu entrasse, ficando do lado de fora.
Corvus estava sentado atrás da grande mesa, os olhos fixos num mapa detalhado de Astralis, com vários pontos marcados em vermelho e dourado. A sua postura era rígida, mas a expressão carregava uma intensidade perigosa.
— Cate, senta-te. — A voz dele era grave, quase autoritária.
Obedeci, sentando-me na cadeira à sua frente. Cruzei os braços, tentando esconder o nervosismo que me apertava o peito.
— A Margarita disse que querias falar comigo, — comecei, tentando manter a voz firme. — O que se passa?
Ele levantou os olhos na minha direção, o brilho neles tão calculado que quase me fez recuar.
— Estamos prestes a dar o próximo passo, — começou ele, a voz carregada de determinação. — O ataque ao palácio.
O meu coração parou por um momento.
— Ao palácio? — repeti, tentando processar as palavras.
Ele assentiu, os olhos fixos nos meus como se avaliasse cada reação.
— É o único caminho. Temos de derrubar os Magni Stellaris de uma vez por todas. Não basta enfraquecê-los; precisamos de os destruir completamente.
A palavra "destruir" ressoou na minha mente, como um eco de algo perigoso e irreversível.
— Mas assim de repente... isso não é tudo, pois não? — perguntei, a voz baixa, mas carregada de suspeita.
Ele inclinou-se para a frente, o tom da voz dele a tornar-se mais frio.
— Não. Não é. O ataque ao palácio é apenas o começo. O conselho terá de se render ou perecer, mas sabemos que não vão ceder facilmente. Eu sei que eles vão recorrer a tudo, Cate. Inclusive à Academia Stellae.
As palavras dele atingiram-me como um murro no estômago.
— A... Academia? — murmurei, quase sem acreditar.
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O Despertar das Sombras
Kỳ ảoNum mundo onde as estrelas guardam segredos antigos e perigosos, Cate Vesper, uma jovem aparentemente comum, descobre que está ligada a uma constelação proibida, e carrega um destino a que não pode escapar. Com um amuleto misterioso na sua posse e m...
