Tredecim

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PETRUS

Já se passaram três dias desde que fui capturado e aprisionado na Domus Umbrae. Com o tempo a escorrer lentamente, preso entre a frieza das paredes de pedra e o peso das algemas que drenam a minha magia. Os meus pulsos doem onde o metal se crava na pele, e a humilhação de estar nesta cela torna-se mais difícil de suportar a cada momento que passa.

Acordo ao som dos passos dos dissidentes, que verificam a cela periodicamente. As refeições são entregues a intervalos que me parecem arbitrários, e o silêncio é quebrado apenas pelos ecos de vozes distantes nos corredores. Os dissidentes mantêm-me à distância, embora ocasionalmente consiga ouvir fragmentos de conversas. Os murmúrios carregam suspeitas, ódio e... talvez algo mais. Piedade?

Hoje, pela primeira vez desde que me colocaram aqui, a cela abriu-se para deixar entrar alguém que reconheço. Margarita entrou, com uma expressão séria no rosto, mas havia uma suavidade na sua postura.

— Bom dia, Petrus, — cumprimentou ela, aproximando-se cuidadosamente. — Temos novidades sobre a tua situação.

Levantei o olhar para ela, tentando esconder a curiosidade e o ressentimento que ferviam dentro de mim. — Que tipo de novidades?

Ela cruzou os braços, e o tom da sua voz era firme mas compreensivo. — Decidimos que vais poder sair da cela, mas com algumas condições. Serás acompanhado sempre por um de nós. Eu, Lysander, ou outro dissidente capaz, para garantir que não representas um perigo. E, as refeições continuarão a ser trazidas... por Cate. Não queremos arriscar que faças as refeições connosco, e colocar utensílios que se podem tornar perigosos nas tuas mãos.

— Entendo, — murmurei, contendo a frustração que me queimava por dentro. — Então, continuo a ser um prisioneiro, só que com uma corrente um pouco mais longa.

Margarita suspirou, como se esperasse a minha reação. — A questão é a seguinte, Petrus. Estamos a tentar dar-te uma oportunidade para veres o nosso lado, para perceberes que não somos os monstros que te fizeram acreditar. Mas isso só vai funcionar se tu estiveres disposto a olhar além do que te ensinaram.

Continuei a fitá-la em silêncio, as palavras a ecoarem na minha mente.

— Acham mesmo que vão conseguir manter-me aqui por muito mais tempo? — perguntei, enquanto Margarita destrancava a porta da cela. — Os Magni Stellaris vão unir todas as forças para me encontrarem. E quando o fizerem, não hesitarão em transformar isto numa guerra.

Margarita deixou escapar uma risada curta e seca, sem se virar para olhar para mim. — Então eles que tentem, — respondeu, com uma confiança que me irritou ainda mais. — Mas acredita, Petrus, se eles nos encontrarem por um milagre e decidirem atacar, nós estamos preparados para lutar.

A tensão entre nós manteve-se enquanto ela me conduzia para fora da cela e me guiava pelos corredores da Domus Umbrae. O ambiente era sombrio mas ao mesmo tempo acolhedor, com tapeçarias antigas penduradas nas paredes e velas mágicas a iluminarem o caminho com uma luz etérea. Não pude deixar de notar o contraste entre o aspeto velho e o poder que emanava daquele lugar. Era uma fortaleza disfarçada de mansão.

Margarita levou-me por uma série de corredores e escadas até chegarmos a uma grande sala. As portas estavam entreabertas, e eu conseguia ouvir sons de luta e risos vindos de dentro.

— O que é isto? — perguntei, franzindo o sobrolho.

— A sala de combate físico, — explicou Margarita, enquanto empurrava a porta para me dar uma visão melhor. — Alguns dos nossos aprendizes treinam aqui.

Observei a cena lá dentro. Cate estava a lutar com Lysander, movendo-se com agilidade enquanto ele se esquivava e contra-atacava com precisão. Ambos estavam suados e ofegantes, mas havia um sorriso nos lábios de Cate, como se estivesse realmente a divertir-se. Havia outros jovens dissidentes a assistir, alguns encorajando-a e outros a comentar sobre os movimentos de Lysander.

O Despertar das SombrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora