✧ MARGARITA ✧
A água rodopiava ao meu redor, moldando-se com precisão ao comando das minhas mãos, lançando rajadas poderosas contra os dois Custodes que me cercavam. Cada golpe de água fazia-os recuar, mas eles eram persistentes, aproximando-se de novo com as armas prontas e os olhos fixos em mim. Respirava fundo, concentrando-me, controlando a água como uma extensão dos meus movimentos. As ondas que eu invocava moviam-se como correntes invisíveis, projetando-se para os derrubar.
"Mais um pouco..." pensei, pronta para atacar com mais força. Mas então, sem qualquer aviso, os dois Custodes pararam. Olharam-se brevemente e, num movimento sincronizado, recuaram, a postura rígida e os olhos sem emoção.
Confusa, observei-os a retirar-se.
O que...? Isto não faz sentido. O plano era claro: iriam tentar forçar-nos a recuar, e nós iríamos afastar-nos na direção oposta à mansão, criando uma ilusão do seu paradeiro. Mas algo tinha mudado.
Olhei ao redor, vendo outros dissidentes com expressões de incredibilidade. As silhuetas dos Guardiões Estelares e dos Custodes desapareciam rapidamente, abrindo portais e recuando, como se tivessem recebido ordens de retirada imediata.
Antes que pudesse processar o que estava a acontecer, ouvi um grito – um som seco e devastador que ecoou pela floresta.
— NÃO! — era a voz de Corvus, vinda de algum lugar próximo.
A adrenalina disparou pelo meu corpo. Sem hesitar, invoquei a minha magia de Salto Celestial, um poder que fazia com que cada salto meu fosse um voo curto. Num piscar de olhos, estava a mover-me em direção à origem do grito, sentindo o vento a chicotear o meu rosto enquanto avançava rapidamente, saltando por entre as árvores como se o próprio ar me impulsionasse.
Quando cheguei, deparei-me com uma cena que fez o meu coração acelerar. Corvus estava imóvel, a expressão sombria e rígida, como se contivesse uma fúria à beira de explodir. Marcus estava ao seu lado, o corpo tenso e os punhos cerrados. Horace olhava fixamente para um ponto no chão, o rosto pálido e os olhos alarmados. Ao centro de tudo, ajoelhado e preso num feitiço complexo, estava Lysander. Os seus olhos estavam vermelhos, e o rosto contorcia-se numa expressão de dor e desespero, com lágrimas a correrem-lhe pelo rosto.
— Lysander! — exclamei, ao mesmo tempo que procurava por Cate, cada vez mais ansiosa. Mas ela não estava lá. Aquilo não podia estar a acontecer.
Corvus encarou Lysander com uma indignação feroz, a voz dele saindo fria e controlada, mas carregada de uma raiva que mal conseguia conter.
— Como é que isto aconteceu, Lysander? Como é que eles a levaram?
Lysander engoliu em seco, os olhos dele cheios de uma dor tão profunda que parecia cortar o ar. Ele respirava de forma irregular, lutando para manter a postura, mas, finalmente, murmurou, a voz dele quase inaudível.
— Não... não consegui pará-los... Foi... Michaelius... ele... Ele usou uma força imensa contra nós... eu... eu não consegui. Ele é demasiado forte.
As palavras saíram-lhe com dificuldade, como se cada uma fosse uma lâmina a perfurar-lhe o coração. O seu desespero era palpável, e não podia acreditar no que estava a ouvir. Cate... levada pelos Magni Stellaris. Era algo que eu nem sequer conseguia conceber.
Avancei rapidamente, ajoelhando-me ao lado de Lysander, as mãos a tremelicar levemente enquanto tentava libertá-lo. Mas antes que conseguisse entender o feitiço que o prendia, Marcus aproximou-se e, com um toque preciso e silencioso, desfez o encantamento. Lysander desabou para a frente, o corpo dele ainda a tremer com a intensidade do momento, mas Marcus segurou-o, ajudando-o a levantar-se.
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O Despertar das Sombras
FantasíaNum mundo onde as estrelas guardam segredos antigos e perigosos, Cate Vesper, uma jovem aparentemente comum, descobre que está ligada a uma constelação proibida, e carrega um destino a que não pode escapar. Com um amuleto misterioso na sua posse e m...
