Triginta Unus

8 2 0
                                        


CATE

O ar estava pesado, quase opressivo, enquanto avançávamos em direção ao local onde o portal de sombras nos aguardava. O silêncio entre nós era palpável, quebrado apenas pelo som abafado dos nossos passos e das folhas secas sob os pés. As sombras das árvores próximas pareciam mais densas, como se o próprio ambiente conspirasse contra nós.

O meu corpo ainda vibrava com a adrenalina da missão. O calor do fogo que havia consumido o armazém parecia ainda estar na minha pele, mas a satisfação da destruição ficou para trás. Tudo o que importava agora era chegar ao portal. Estávamos perto... pelo menos era o que dizia a bússola mágica que Margarita segurava com firmeza.

— Está a menos de quinhentos metros — murmurou ela, os olhos fixos na agulha que brilhava com uma luz azulada.

Lysander, ao meu lado, ajeitou a espada às costas, os músculos dele tensos de forma quase impercetível. Era raro vê-lo tão cauteloso. Talvez o silêncio fosse demasiado. Talvez... não estivéssemos sozinhos.

— É só impressão minha, ou está tudo demasiado... calmo? — perguntou Marcus, a voz baixa, mas carregada de alerta. Ele cheirava o ar, um movimento quase instintivo, como se estivesse a tentar captar algo que nós não conseguíamos.

— Não digas isso — sussurrou Margarita, lançando-lhe um olhar de aviso. — Estamos quase lá.

Mas, antes que ela pudesse continuar, uma vibração correu pelo chão, como um trovão abafado que reverberava nas minhas pernas. Parei imediatamente, os sentidos em alerta. Um brilho dourado e azulado iluminou o caminho à nossa frente, e num piscar de olhos, várias figuras surgiram entre as árvores, cada uma envolta numa aura brilhante que só podia pertencer a uma elite de guardiões estelares.

Os meus olhos encontraram os de Petrus, que caminhava lentamente para a frente, o centro de uma formação perfeita. A sua armadura brilhava sob a luz da lua, e a espada dele cintilava com uma energia vibrante. Ele era a imagem da força e da autoridade, mas os seus olhos... os olhos diziam outra coisa.

Senti o coração apertar, um misto de alívio e angústia. Ele estava ali, do outro lado, como inimigo. Mas era mais do que isso. Ele tinha vindo.

— Dissidentes, — começou ele, a voz fria e firme, ecoando pela clareira. — Pensaram mesmo que podiam escapar ilesos depois de um ataque como este?

Lysander avançou um passo, posicionando-se à minha frente, a metralhadora mágica nas mãos. A postura dele era tensa, mas a voz saiu num tom baixo e carregado de provocação.

— Parece que trouxeste os teus amigos, Petrus. Não tens coragem de nos enfrentar sozinho?

Petrus não reagiu à provocação, mantendo o olhar fixo em mim por um breve momento. Foi suficiente para que uma corrente de emoções percorresse o meu corpo. Ele sabia o que estava a fazer. Mas seria ele capaz de nos proteger, mesmo agora?

— Atacar — ordenou Petrus, a espada dele cortando o ar com um movimento firme.

As figuras douradas avançaram, rápidas e coordenadas, como um predador que encontra a presa. Lysander soltou um grito de guerra, e a clareira mergulhou no caos. Ele avançou primeiro, bloqueando o ataque de um guardião com a sua metralhadora, que disparava rajadas de energia pura. Margarita saltou para o ar, a sua agilidade sobrenatural transformando-a numa sombra rápida enquanto liberava rajadas de vento que afastavam dois guardiões que tentavam cercá-la.

Marcus estava do meu lado, as suas armas brilhando com energia. Ele disparava tiros precisos que não feriam mortalmente, mas derrubavam os guardiões, deixando-os desorientados. Ele murmurou entre dentes:

O Despertar das SombrasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora