✧ PETRUS ✧
O dia mal tinha começado e já sentia o peso de tudo o que descobrira no dia anterior. As palavras de Corvus e os olhares profundos dos dissidentes ecoavam ainda na minha mente, mas algo em mim não conseguia ignorar a verdade que se desenhava à minha frente. Sentia-me dividido entre o passado que sempre conheci e a realidade que os dissidentes insistiam em mostrar-me.
Ao atravessar os corredores sombrios da Domus Umbrae, segui Corvus e Horace até uma sala que ainda não conhecia. As paredes eram de pedra escura e a atmosfera carregava um cheiro a madeira antiga e a incenso queimado. Corvus empurrou a porta de madeira pesada, revelando o interior do que parecia ser um santuário dedicado ao meu pai.
Prateleiras cobertas de velas cercavam a sala, iluminando uma coleção de objetos cuidadosamente dispostos sobre mesas e dentro de caixas de vidro. Alguns tinham marcas visíveis de uso, outros pareciam quase novos, mas todos pareciam conter uma história que ansiava ser contada.
— Este era o espaço onde o teu pai guardava alguns dos seus artefactos mais valiosos, itens que ele trouxe de missões e que, de uma forma ou de outra, simbolizam momentos chave na resistência dos dissidentes — começou Corvus, com um tom grave, quase respeitoso.
Ele pegou num objeto pequeno, uma adaga de lâmina curta, mas afiada, com inscrições gravadas na lâmina.
— Esta foi uma das primeiras armas que o teu pai usou numa missão com os dissidentes — explicou, colocando-a nas minhas mãos. — Ele usou-a para proteger um grupo de refugiados dos Custodes, quando tentou, pela primeira vez, mostrar ao mundo a corrupção dos Magni Stellaris.
A lâmina fria nas minhas mãos parecia pesar mais do que uma simples adaga. Era como se cada marca na sua superfície contasse uma história de luta e de sacrifício. A ideia do meu pai arriscar tudo pelos dissidentes era algo que, aos poucos, começava a tornar-se mais real.
— Sempre achei... — comecei, mas hesitei, escolhendo as palavras. — Sempre achei que ele era movido pela ganância. Foi o que me disseram. Que o poder o corrompeu.
Corvus colocou uma mão pesada no meu ombro, o olhar dele fixo em mim com uma intensidade que me fez sentir a verdade das palavras antes mesmo de ele as dizer.
— Alistair Corion era movido por justiça, Petrus. Não pela ganância. Ele viu de perto a crueldade e a manipulação dos Magni Stellaris. E quando se apercebeu do preço que os dissidentes pagavam em silêncio, decidiu que era hora de agir, independentemente do que isso lhe custasse.
Horace aproximou-se e colocou um caderno de capa gasta nas minhas mãos. A capa estava desbotada, mas o nome "Alistair Corion" ainda era visível.
— Este era o diário do teu pai — disse Horace, a voz baixa, quase como se estivesse a confessar algo. — Aqui, ele registava tudo. Os seus pensamentos, as missões, os planos... e os sacrifícios que sabia que precisaria de fazer.
Folheei algumas páginas, os dedos a tremelicar ao tocar na caligrafia inconfundível do meu pai. Frases sobre a luta pela liberdade, sobre proteger aqueles que não podiam lutar, sobre as mentiras dos Magni Stellaris. Era uma parte dele que eu nunca conheci, uma parte dele que parecia gritar pela verdade, uma verdade que ele foi forçado a esconder.
— Durante todo este tempo, vivi numa mentira — murmurei, quase sem perceber que falava em voz alta. — Tudo o que conheci, tudo o que me ensinaram sobre ele... era falso.
Horace assentiu, o olhar sombrio mas compreensivo.
— Esse é o objetivo dos Magni Stellaris, Petrus. Controlar a narrativa. Tornar todos os que se opõem numa ameaça, numa história que podem manipular. Alistair tentou mudar isso, tentou revelar a verdade, mas... não lhe foi permitido.
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O Despertar das Sombras
FantasíaNum mundo onde as estrelas guardam segredos antigos e perigosos, Cate Vesper, uma jovem aparentemente comum, descobre que está ligada a uma constelação proibida, e carrega um destino a que não pode escapar. Com um amuleto misterioso na sua posse e m...
