Ficando juntos

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Felix dirigiu de volta para a casa de Hyunjin. Quando desceu, ele bateu na porta e foi recebido por um Hyunjin com pijama e o cabelo bagunçado. Ele não estava com o olhar de sono no entanto, provavelmente estava se preparando para dormir.

Felix entrou pela porta da casa dele como se estivesse carregando o peso do mundo nos ombros. Seus olhos estavam ligeiramente marejados, e o rosto cansado denunciava a intensidade do que acabara de viver. Hyunjin, ao vê-lo daquele jeito, não hesitou em puxá-lo para dentro, envolvendo-o em um abraço firme e acolhedor. Felix suspirou aliviado, sentindo o calor e a segurança dos braços de Hyunjin ao redor dele.

Por um tempo, eles ficaram ali, em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro. Felix apertou o rosto contra o ombro de Hyunjin, como se precisasse daquele contato para se manter firme. Hyunjin passou a mão gentilmente pelas costas de Felix, encorajando-o a se abrir sem pressa.

— Eu... terminei com ela — murmurou Felix, a voz baixa e um pouco trêmula. Sentiu-se vulnerável ao dizer em voz alta, como se a realidade de sua decisão se tornasse ainda mais concreta. — Falei com Risabae, e... acabou.

Hyunjin assentiu, mantendo o silêncio, mas o leve aperto em seus braços mostrava que estava ali, apoiando-o. Felix fechou os olhos e se permitiu relaxar um pouco mais contra o peito dele.

— Ela... ela parou de tomar os anticoncepcionais — sussurrou Felix, quase como se ainda não acreditasse completamente. Sentiu a dor dessa descoberta atravessá-lo mais uma vez. — Eu encontrei a cartela cheia, Hyunjin. Ela não tomou um comprimido sequer no último mês.

Hyunjin ergueu a mão e acariciou os cabelos de Felix, absorvendo cada palavra. Não tentou interrompê-lo, mas os olhos ficaram sérios, refletindo a preocupação que sentia por Felix.

— E eu... eu nem fazia ideia disso — continuou Felix, apertando as mãos nas costas de Hyunjin. — Nós falamos tantas vezes sobre isso. Eu sempre fui claro, sempre deixei isso muito óbvio, mas ela... — sua voz falhou, e ele mordeu o lábio, tentando controlar as emoções.

Hyunjin, ainda sem dizer nada, levou a mão ao queixo de Felix, levantando suavemente seu rosto para que pudesse olhar nos olhos dele. Havia um brilho compreensivo e firme em seus olhos, algo que acalmava Felix, o fazia sentir que ali estava seguro para ser quem era.

— Vai ficar tudo bem. Eu vou te ajudar caso... aconteça o que você está pensando.

Felix assentiu, sentindo o peito apertar novamente, mas, ao mesmo tempo, aliviado por poder compartilhar aquilo com Hyunjin.

— Eu queria ter feito isso de outra forma — confessou Felix, ainda com a cabeça baixa, mas seus dedos agora entrelaçavam-se com os de Hyunjin. — Mas quando encontrei a cartela... não dava mais para adiar.

— Você fez o que precisava fazer — respondeu Hyunjin, com um tom que soava quase como um sussurro. — E eu estou aqui. Você não está sozinho nisso.

Hyunjin o puxou novamente para o abraço, e Felix suspirou, sentindo-se acolhido. As mãos de Hyunjin acariciavam suas costas com movimentos calmos, ajudando a dissipar o nervosismo que ele ainda sentia. Era como se, aos poucos, o calor daquele abraço estivesse desfazendo toda a tensão acumulada.

Depois de um tempo, Hyunjin se afastou um pouco para poder olhar Felix nos olhos. Ele tocou o rosto dele com carinho, uma leveza em seu toque que o fazia sentir-se compreendido e aceito.

— Agora você está livre, Lix — murmurou Hyunjin. — Livre para viver de verdade, para descobrir o que você realmente quer.

Felix sorriu, um sorriso tímido e ainda um pouco dolorido, mas que trazia uma sinceridade profunda.

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