Trabalho de parto

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Dentro da sala de parto, Felix sentia o ambiente fervilhar com energia. Enfermeiras e médicos circulavam com eficiência, enquanto Risabae estava deitada em uma maca, claramente desconfortável e resmungando baixinho a cada movimento. Felix, já vestido com uma roupa hospitalar de tecido fino e um gorro descartável, observava tudo com o coração acelerado. Ele ajustou o elástico do gorro e prendeu seus cabelos loiros, tentando não deixar transparecer o quanto estava nervoso.

— Felix, aproxime-se — chamou uma das enfermeiras, apontando para um espaço ao lado de Risabae.

Risabae, usando apenas um short confortável e um top leve, estava ofegante. O brilho de suor em sua testa e o leve tremor em suas mãos denunciavam a dor que sentia. Uma doula, que parecia experiente e calma, estava ao lado dela, prendendo os cabelos rosados de Risabae em um coque alto para aliviar o calor.

Felix respirou fundo, aproximando-se devagar. Ele hesitou antes de tocar o braço de Risabae.

— Ei... — ele começou suavemente. — Como você está?

Risabae revirou os olhos, uma expressão de dor e irritação misturada.

— Como você acha que eu estou, Felix? Parece que alguém está rasgando minha barriga de dentro pra fora!

Felix franziu o rosto, incerto de como responder.

— Certo... é só... eu estou aqui, tá?

Ela soltou uma risada amarga entrecortada por um gemido.

— Ótimo. Isso resolve tudo.

A enfermeira se aproximou com uma prancheta, lançando um olhar encorajador para Felix antes de falar diretamente com Risabae.

— Vamos começar com alguns exercícios de dilatação, Risabae. É importante que você se mova um pouco para ajudar o processo.

— Mover?! — Risabae quase gritou, olhando para a enfermeira como se ela tivesse dito algo absurdo. — Eu mal consigo respirar sem sentir que vou explodir!

A doula interveio com uma voz calma.

— Eu sei que parece impossível agora, mas vai ajudar muito. Vamos começar devagar. Felix, você pode apoiá-la?

Felix assentiu imediatamente, movendo-se para ficar ao lado de Risabae. Ele estendeu a mão, hesitante, mas determinado.

— Segura minha mão. Eu ajudo você.

Risabae olhou para ele com desconfiança, mas, ao sentir outra contração forte, agarrou a mão de Felix com força, quase arrancando um gemido dele.

— Ai! — Felix exclamou, mas rapidamente sorriu, tentando disfarçar a dor. — Isso é ótimo, pode apertar o quanto precisar.

— Eu vou esmagar seus ossos, Lee Felix! — Risabae retrucou entre dentes cerrados, o rosto contorcido pela dor.

A enfermeira começou a guiar Risabae em pequenos movimentos com uma bola de exercícios. Ela murmurava instruções claras e suaves, enquanto Felix permanecia ao lado, oferecendo apoio com sua presença.

— Isso, Risabae, devagar. Balance os quadris, respire fundo. — A doula encorajava, enquanto ajustava os movimentos da paciente.

Felix inclinou-se para perto de Risabae, tentando soar reconfortante.

— Você está indo muito bem. De verdade.

Risabae lançou-lhe um olhar ácido.

— Cala a boca, Felix. Você não tem ideia de como isso dói.

Ele mordeu o lábio, claramente sem saber o que dizer.

— Certo, vou ficar quieto.

Mesmo assim, ele não soltou sua mão.

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