Um banho relaxante

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Na manhã seguinte, Felix estava tomando banho. Ele acordou primeiro que Risabae e resolveu tomar banho para refrescar a mente.

A água quente descia pelo corpo de Felix, ajudando-o a despertar aos poucos, quando sentiu os braços de Risabae envolverem sua cintura. Ele se sobressaltou por um instante, mas logo reconheceu o toque familiar. Sentiu os lábios dela beijando suavemente suas costas, enquanto os seios pressionavam sua pele molhada.

— Bom dia... — ela sussurrou, deslizando as mãos pelo peito dele, enquanto Felix soltava um suspiro baixo.

Ele fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos que o atormentavam ultimamente. Talvez esse fosse o momento de se reconectar, de tentar novamente.

— Bom dia... — murmurou de volta, virando-se devagar para encará-la.

Risabae o olhava com um sorriso leve, a água caindo entre os dois, fazendo com que as gotas escorressem pelos seus rostos. Felix sentiu uma onda de desejo, mas também uma estranha hesitação. Mesmo assim, ele decidiu se render ao momento, passando os braços ao redor dela e a puxando para mais perto. Seus lábios se encontraram em um beijo intenso, como se ele estivesse tentando provar a si mesmo que ainda conseguia sentir algo por ela.

— Eu senti falta disso — disse ela, entre um beijo e outro, enquanto suas mãos percorriam o corpo dele.

Felix a pressionou gentilmente contra a parede do box, sentindo a água deslizar ao redor deles. Risabae gemeu baixinho ao toque firme de Felix, deslizando os dedos pela nuca dele, puxando-o mais para perto. Ele tentou se perder naquele momento, tentou focar na sensação do corpo dela, no calor, no contato de suas peles molhadas. Eles se moviam juntos, seus corpos em sincronia, enquanto ele tentava se convencer de que aquele era o lugar onde devia estar.

No entanto, enquanto os gemidos de Risabae preenchiam o silêncio do banheiro, Felix não conseguiu evitar que um outro rosto surgisse em sua mente. Ele se esforçava para ignorar, mas a imagem de Hyunjin insistia em aparecer. Sentiu o peito apertar ao perceber que, mesmo ali, no calor do momento, seu coração estava em outro lugar.

— Felix... — Risabae sussurrou, acariciando o rosto dele. — Eu te amo.

Felix sentiu o peso dessas palavras, mas respondeu apenas com um sorriso suave. Ele queria que fosse o suficiente, mas sabia que algo dentro de si estava faltando.

...

Depois de terminarem, Felix permaneceu em silêncio por alguns segundos, sentindo a água ainda cair sobre seu corpo enquanto tentava clarear a mente. Ele respirou fundo, afastando-se de Risabae e a observando com um meio sorriso.

— Não esquece de tomar o remédio depois, tá? — lembrou ele, com o tom de voz baixo, tentando soar casual, mas sentindo o leve desconforto por precisar sempre reforçar aquilo.

Risabae assentiu, passando a mão pelos cabelos molhados e olhando para ele com um sorriso, mas seus olhos mostravam um toque de tristeza.

— Eu sei... — murmurou. — Mas você sabe que eu adoraria se... um dia não fosse necessário, né? — Ela tocou de leve a mão de Felix. — Gostaria que pensássemos nisso juntos, sem tanta preocupação.

Felix desviou o olhar, sentindo o peso das palavras dela. A ideia de formar uma família deveria aquecê-lo, mas ele não conseguia corresponder ao desejo dela.

— Risabae... — ele começou, tentando escolher bem as palavras. — Já falamos disso. É que... sabe, estamos tão ocupados agora, minha carreira, a sua... Acho que não seria o momento certo.

Ela suspirou, meio desapontada, mas escondeu a expressão rapidamente.

— Eu entendo... — disse ela, tentando sorrir e não deixar que ele percebesse o desapontamento. — É só que, quando vejo você falando disso, sinto que você está sempre evitando.

Felix se aproximou e segurou a mão dela.

— Não é isso... — mentiu suavemente, tentando disfarçar seu conflito. — Eu só quero que a gente esteja preparado. Só isso.

Risabae sorriu de volta, mesmo que levemente.

— Certo, vou respeitar o seu tempo... Eu só... eu só queria isso com você, sabe?

Felix assentiu, um aperto no peito ao perceber o quanto ela realmente desejava essa vida ao lado dele, algo que ele não conseguia oferecer com sinceridade.

— Obrigado por entender... — ele sussurrou, dando um beijo suave na testa dela.

Ela se afastou então, pegando uma toalha e se enrolando, mas lançou um último olhar para ele, que ele preferiu ignorar. Enquanto ela saía do banheiro, ele permaneceu ali, sozinho, a água ainda caindo sobre ele enquanto tentava ignorar a sensação de culpa que pesava em seu peito.

Ele sabia que estava começando a enganar Risabae de várias formas — e cada dia, parecia mais difícil de sustentar.

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