Contrações

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Depois de horas intensas de desfiles e flashes, Felix e Hyunjin finalmente entraram no carro, exaustos, mas satisfeitos com o sucesso da noite. Felix reclinou o banco, fechando os olhos por um instante, enquanto Hyunjin ajustava o espelho retrovisor.

— Foi uma noite e tanto, hein? — Hyunjin comentou, lançando um olhar rápido para Felix.

Felix sorriu, ainda tentando processar tudo.

— É, mas eu só quero ir pra casa e dormir.

Hyunjin concordou com um aceno, mas antes que pudesse dar partida, o celular de Felix começou a vibrar em cima do painel. Ele suspirou e pegou o aparelho, estranhando o nome de Risabae na tela.

— É ela... — Felix murmurou, atendendo com um leve receio. — Alô?

Do outro lado da linha, a voz de Risabae estava ofegante e arrastada, como se ela estivesse lutando contra alguma dor.

— Felix... — ela começou, a respiração pesada. — Eu... estou sentindo contrações... acho que o Theo está vindo.

Felix sentiu o estômago revirar e endireitou-se imediatamente no banco.

— Contrações? Você tem certeza?

— Claro que tenho certeza! — Risabae respondeu com impaciência, a voz tingida de dor. — Não sou idiota, Felix!

— Calma, calma. — Felix tentou manter a calma, mas já estava apavorado. — Eu estou indo agora mesmo. Segura aí.

Ele desligou e olhou para Hyunjin, a tensão clara em seus olhos.

— Ela está sentindo contrações. Precisamos ir até o apartamento dela agora.

Hyunjin nem hesitou. Ele deu partida no carro, o motor rugindo enquanto acelerava pelas ruas da cidade.

— Tudo bem, calma. Vai dar tudo certo.

Felix segurava o celular com força, as mãos suando.

— Eu não sei se estou pronto pra isso...

Hyunjin lançou-lhe um olhar rápido e reconfortante.

— Você vai ficar bem, e o Theo também.

...

Quando chegaram ao apartamento de Risabae, Felix praticamente pulou do carro antes mesmo de Hyunjin estacionar. Ele correu até o interfone, apertando o botão com insistência.

— Quem é? — a voz arrastada de Risabae respondeu.

— Sou eu! Desce logo, a gente tem que ir pro hospital!

— Eu não vou descer com ele aí. — Risabae retrucou, referindo-se a Hyunjin.

Felix revirou os olhos, exasperado.

— Risabae, pelo amor de Deus, não é hora pra isso!

— Eu disse que não quero ele perto do meu filho! — ela gritou de volta, a voz entrecortada por um gemido de dor.

Felix se virou para Hyunjin, que já estava ao lado dele.

— Isso é um pesadelo...

Hyunjin colocou a mão no ombro de Felix, tentando acalmá-lo.

— Vou ficar no carro se isso facilitar.

— Não, você não vai. — Felix rebateu com firmeza, já perdendo a paciência. Ele voltou ao interfone. — Risabae, estamos subindo agora. E se você não quiser sair, o Hyunjin vai te carregar até o carro, porque eu não vou deixar você parir nesse apartamento!

Sem esperar resposta, Felix empurrou a porta aberta e subiu as escadas com Hyunjin logo atrás.

No apartamento, Risabae estava sentada no sofá, respirando fundo enquanto segurava a barriga. Quando viu Hyunjin entrar, sua expressão ficou ainda mais azeda.

— Eu disse que não quero ele aqui!

Felix ignorou, cruzando os braços.

— E eu disse que não vou discutir com você. Estamos indo pro hospital agora.

— Eu não vou a lugar nenhum com ele!

Hyunjin deu um passo à frente, mantendo a voz calma, mas firme.

— Risabae, você precisa ir pro hospital. Não é seguro pra você ou pro Theo ficar aqui.

— Eu não confio em você. — Ela rebateu, mas a voz fraquejou quando uma nova contração a atingiu.

Felix suspirou, passando as mãos pelos cabelos.

— Hyunjin, pega ela.

— O quê?! — Risabae exclamou, alarmada.

Antes que ela pudesse protestar mais, Hyunjin se abaixou e a pegou no colo com facilidade.

— Me solta! — Risabae gritou, debatendo-se.

— Se você continuar se mexendo assim, vai ser pior. — Hyunjin disse, o tom prático enquanto carregava-a pelo corredor.

Felix abriu a porta do prédio, mantendo-a escancarada enquanto Hyunjin passava com Risabae ainda protestando.

— Eu odeio vocês! — ela gritou, mas sua voz ficou abafada por outro gemido de dor.

Felix fechou a porta atrás deles e abriu o carro.

— Odeia o quanto quiser, mas nós vamos salvar você e o Theo.

Hyunjin a acomodou no banco de trás com cuidado, enquanto Felix entrava no banco do passageiro.

— Respira fundo, Risabae. Estamos indo.

Embora o trajeto para o hospital fosse curto, parecia uma eternidade para todos. A tensão no carro era quase palpável, mas Felix segurava a mão de Risabae, mesmo com seus resmungos, enquanto Hyunjin dirigia rápido, mas com cuidado.

Finalmente, quando chegaram ao hospital, a equipe médica estava pronta para recebê-los. Felix ajudou Risabae a sair do carro, e mesmo que ela ainda lançasse olhares de desconfiança para Hyunjin, não tinha mais forças para reclamar.

Enquanto a levavam para dentro, Felix parou por um momento e olhou para Hyunjin.

— Obrigado. De verdade.

Hyunjin apenas sorriu, colocando a mão no rosto de Felix.

— Vai lá. Theo precisa de você agora.

Felix assentiu, correndo para acompanhar Risabae e deixando Hyunjin do lado de fora, observando o céu noturno com uma expressão pensativa.

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