Capítulo Trinta e Quatro

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Diário de Bordo

Dra. Castro

Hospital Psiquiátrico Gonçalves

5 de setembro de 2022.

A paciente de olhos esmeralda me encarava com atenção e curiosidade. Sua expressão era firme, longe da alienação que eu via em muitos dos pacientes do Limbo, cujos olhares, apesar das doses reduzidas de medicação, permaneciam desfocados e vazios.

Mas aquela mulher era diferente. Cada movimento dela transparecia sanidade, desde a forma como me observava até a maneira com que se sentava. Ou, talvez, fosse apenas uma ótima atriz. Não sabia o que esperar de uma paciente cujo nome sequer me fora revelado. O psiquiatra chefe limitou-se a uma explicação superficial: "Talvez ela se abra mais com você por ser mulher."

Com um aceno displicente, ele me dispensou, sem fornecer qualquer outro detalhe, além de me pedir relatórios diários sobre o andamento da paciente.

Eu desconhecia os motivos que a haviam trazido para ali ou por que fora a única transferida durante a madrugada, desacordada. Havia muitos mistérios envolvendo essa paciente, então decidi começar pela questão mais simples:

Seu nome.

5 de setembro de 2022

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5 de setembro de 2022

Depois de alguns minutos no gramado, Yara me avisou que estava na hora da minha primeira sessão com a psiquiatra. Ela me acompanhou pelo corredor bem iluminado do complexo Limbo até uma pequena sala no pavilhão administrativo, também bem iluminada, onde estava minha psiquiatra.

Os cabelos castanhos encaracolados e a pele negra reluziam sob a iluminação da sala. Os olhos escuros me observavam cuidadosamente enquanto eu entrava, tentando parecer o mais amistosa possível.

A doutora Castro, como havia se apresentado, me encarava com curiosidade e receio. Estaria com medo de que eu a atacasse?

Ri com a possibilidade de isso a assustar. Obviamente, eu não estava na melhor forma física para tal, uma vez que meus treinos haviam cessado assim que Brian desapareceu. Desde então, todas as minhas energias estavam focadas em encontrá-lo.

No entanto, entendi o seu receio quando ela me fez a primeira pergunta:

— Qual é o seu nome? — A doutora me encarava com curiosidade enquanto aguardava minha resposta.

Ela já não deveria saber pelo menos o meu nome e o que me trouxe aqui?

— Isso não deveria constar na minha ficha? — Questionei, tão confusa quanto ela, aparentemente.

— Como você chegou sozinha, o tribunal ainda não encaminhou o seu processo. Portanto, não temos nenhuma informação sua. — O rubor em suas bochechas denunciava seu constrangimento.

Como assim eu cheguei sozinha? As condenadas enviadas para aquele fim de mundo não eram transferidas em grupo? Eu era, basicamente, uma paciente fantasma.

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