Lior conversou com o chefe da polícia monegasca. Ao lado do príncipe, Helena fitou o ambiente, ouviu as ações dos agentes e coordenou a equipe de segurança através do ponto eletrônico. Multitarefa, aera um adjetivo que a definia. Séria e habilidosa também foram destacados em suas recomendações.
Ela ganhava pontos com o chefe de polícia enquanto ele a esperava voltar.
Atenta, foi Helena quem chamou sua atenção para algo muito estranho. Quais as chances de escutar gritos da janela do penúltimo andar? Ou como um vulto encoberto por um imenso capuz atirou um gancho em direção a parede? Pendurado pelo cabo, viu o homem — agarrado pela cintura por outra pessoa — pegar impulso e destruir a janela de algum quarto no décimo andar.
O que diabos ele tinha acabado de ver?
— Você viu o que eu vi? — Lior perguntou para o chefe de polícia e para Helena.
— Sim — respondeu Helena. — Um Homem-Aranha dos tempos modernos.
— Homem-Aranha roubaria suítes? — O chefe de polícia arqueou uma sobrancelha.
— Se ele estiver com fome e necessitado? Talvez. — Lior rebateu e deu de ombros. — A crise chega para todos.
— Seja o que for, eu vou mandar meus homens fazer uma varredura naquele andar. — O chefe meneou a cabeça para Helena. — Posso ter sua palavra que a equipe do príncipe irá ajudar e não atrapalhar?
— Sim. — Helena nem esperou a resposta de Lior. — Estarão a sua disposição.
— Assim como eu. — A mulher arregalou os olhos que, lembravam-no de uma sereia bela e mortal com aquela maquiagem. — Eu tenho que voltar e ver se meus amigos estão bem.
Tanto Lestrade quanto Noor. Helena deve ter visto a decisão por trás das lentes dos seus óculos, a firmeza do olhar azul-turquesa, pois ela não comentou mais nada. Somente anuiu, engatilhou a pistola, passou uma mecha lisa e teimosa para trás da orelha e suspirou triste ao encarar o vestido.
— Bem que me avisaram para eu escolher um terninho.
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Ferida como estava, a corrida de Davina foi acompanhada de uma respiração pesada, gotas de suor decoravam o rosto enquanto fortes tonturas lhe acometiam. Juneau já estava se ajoelhando diante da vidraça quando Davina, que mal reparou o suor misturando-se as lágrimas do rosto, pôs a cabeça para fora, sentindo o frio de rachar da noite monegasca.
— Ele me salvou mais uma vez — Juneau comentou com arrependimento no olhar. — Eu me sinto inútil.
— Eu não estou vendo os corpos no pátio do estacionamento — comentou Davina, entre gemidos de dor. A mão livre foi até a região do tiro, mas nada mais podia fazer para estancar o ferimento. — Onde eles caíram?
— Eles não caíram. — Juneau apontou para um grampo preso na parede externa do hotel. — Chacal tem os mesmos apetrechos do Batman ao que parece. Se estivéssemos dentro dos filmes ou dos quadrinhos, eu diria que ele usou um gancho para evitar a queda. — Suspirou. — Com Mônaco na escuridão, é difícil saber em que andar ele parou.
— Siga a polícia. — Apoiando-se na moldura da janela, Davina indicou com a arma a entrada de formiguinhas uniformizadas no prédio. — Lior deve ter chamado reforços.
— O príncipe? — Juneau lhe olhou de esguelha, finalmente tomando nota da pele cada vez mais lívida, quase azul. — E você está bem? Não...
— Sim. — A agente da SRR saiu de onde estava, evitando a agente da Interpol. — Para as duas perguntas.
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O Chacal
AzioneChacal. Ele é um mestre do disfarce, uma lenda temida pela polícia que causa arrepios até nos melhores espiões. Ele jamais deixou um alvo viver. Exceto Lestrade. Lestrade di Laurenti estava no lugar errado, na hora errada. Não era para ele presencia...
