Hotel Serrafiore. Monte Carlo, Principado de Mônaco. Novembro de 2018
Lestrade apontou a arma de Juneau para o teto. Tensa, a mão tremeu e ele fechou os olhos à espera das duas balas disparadas para cima. Ao puxar o gatilho e interromper o combate que já havia levado duas torres de servidores, alguns cabos de internet e até algumas tomadas, ele esperava o diálogo entre aquelas belas e mortais mulheres.
O vestido de Juneau havia ido para o lixo, com a meia-calça rasgada e o decote aberto até o umbigo. Se ela não tivesse a consciência de usar um sutiã... Já as roupas de Stella, Noor ou sabe-se lá como ela se referia, eram mais resistentes e só amarrotaram.
Lestrade inspirou e expirou, acalmando o coração para enfrentar os olhares furiosos da agente e da antiga amiga.
— Podemos parar um pouco para conversar... — pausou, as mãos ainda trêmulas e formigantes após os dois tiros. — Stella?
Nos olhos de obsidianas de Juneau, inúmeros questionamentos foram lançados a Lestrade. Todos, porém, foram ignorados ao ver Noor sorrindo.
— Pensei que nunca ia adivinhar, Les. — Noor levou as duas mãos à cintura, em uma tentativa barata de estar em uma posição de poder. — Na verdade, eu jurava que você tinha me reconhecido quando nos cruzamos no Dragon's Breath.
— Você a conhece, Di Laurenti? — Juneau recuou, observando os dois.
— Quando a conheci, ela era Stella Kapoor. Uma colega minha na época de internato. — Lestrade não deixou a arma cair, por mais que quisesse.
— Sou Noor. — Noor pendeu a cabeça para o lado. — Esse é o nome que eu escolhi para mim.
— O que você faz aqui, Noor? — Ele respeitaria a decisão dela, mas ele queria respostas. — E...
— É uma história bem longa — Noor o cortou — e complicada, mas algo que você vai compreender assim que eu fizer isso.
E então Lestrade viu algo digno dos filmes mais loucos de Hollywood. Ou seria os filmes mais realistas? Noor retirou um pouco doe seu nariz, removendo a prótese que causava a diferença nos traços de perfil. Também foi embora os enchimentos ao longo do maxilar. Em seguida, as lentes de contato antes da fina máscara tecnológica que cobria o rosto.
Até Juneau ficou boquiaberta, com os olhos tão arregalados que só faltaram saltar para fora.
— A máscara é para evitar que eu seja reconhecida pelas câmeras. — Agora sim, Noor era Stella. Estava um pouco mais velha, claro, assim como ele, mas não havia mais dúvidas.
— O que você é Noor? — Lestrade levou a mão livre à boca, incrédulo.
— Ela é MI-6. — Juneau respondeu com certo desdém no rosto. — De uma divisão especial.
— Essa é uma das minhas identidades, sim. — Noor cruzou o ambiente em longas passadas. — Sou uma assassina, com licença para matar em nome de sua majestade. Mas antes, eu fui treinada por uma seita. E é por isso que aqui estou. Não posso explicar a você agora, mas posso prometer respostas para todas as perguntas assim que você usar seu vírus no Pandora.
— Meu vírus? — Ele deu dois passos para trás, arqueando a sobrancelha.
— Segundo as investigações, há informações do MI-5 sobre a compra e venda de um vírus polimórfico capaz de entrar em qualquer sistema. — Juneau voltou a ter uma atitude profissional e fez questão de pegar a arma da mão dele, o que não era muito difícil. — Chamamos o vírus de Kraken.
— O nome é Odin, mas continue. — Lestrade teria uma conversa séria com quem tinha dado esse nome para seu bebê. O único projeto capaz de deixar a mente tranquila no mar de nervosismo naqueles assombrosos anos.
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O Chacal
AzioneChacal. Ele é um mestre do disfarce, uma lenda temida pela polícia que causa arrepios até nos melhores espiões. Ele jamais deixou um alvo viver. Exceto Lestrade. Lestrade di Laurenti estava no lugar errado, na hora errada. Não era para ele presencia...
