Capítulo 33

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Hotel Serrafiore. Monte Carlo, Principado de Mônaco. Novembro de 2018

Lestrade apontou a arma de Juneau para o teto. Tensa, a mão tremeu e ele fechou os olhos à espera das duas balas disparadas para cima. Ao puxar o gatilho e interromper o combate que já havia levado duas torres de servidores, alguns cabos de internet e até algumas tomadas, ele esperava o diálogo entre aquelas belas e mortais mulheres.

O vestido de Juneau havia ido para o lixo, com a meia-calça rasgada e o decote aberto até o umbigo. Se ela não tivesse a consciência de usar um sutiã... Já as roupas de Stella, Noor ou sabe-se lá como ela se referia, eram mais resistentes e só amarrotaram.

Lestrade inspirou e expirou, acalmando o coração para enfrentar os olhares furiosos da agente e da antiga amiga.

— Podemos parar um pouco para conversar... — pausou, as mãos ainda trêmulas e formigantes após os dois tiros. — Stella?

Nos olhos de obsidianas de Juneau, inúmeros questionamentos foram lançados a Lestrade. Todos, porém, foram ignorados ao ver Noor sorrindo.

— Pensei que nunca ia adivinhar, Les. — Noor levou as duas mãos à cintura, em uma tentativa barata de estar em uma posição de poder. — Na verdade, eu jurava que você tinha me reconhecido quando nos cruzamos no Dragon's Breath.

— Você a conhece, Di Laurenti? — Juneau recuou, observando os dois.

— Quando a conheci, ela era Stella Kapoor. Uma colega minha na época de internato. — Lestrade não deixou a arma cair, por mais que quisesse.

— Sou Noor. — Noor pendeu a cabeça para o lado. — Esse é o nome que eu escolhi para mim.

— O que você faz aqui, Noor? — Ele respeitaria a decisão dela, mas ele queria respostas. — E...

— É uma história bem longa — Noor o cortou — e complicada, mas algo que você vai compreender assim que eu fizer isso.

E então Lestrade viu algo digno dos filmes mais loucos de Hollywood. Ou seria os filmes mais realistas? Noor retirou um pouco doe seu nariz, removendo a prótese que causava a diferença nos traços de perfil. Também foi embora os enchimentos ao longo do maxilar. Em seguida, as lentes de contato antes da fina máscara tecnológica que cobria o rosto.

Até Juneau ficou boquiaberta, com os olhos tão arregalados que só faltaram saltar para fora.

— A máscara é para evitar que eu seja reconhecida pelas câmeras. — Agora sim, Noor era Stella. Estava um pouco mais velha, claro, assim como ele, mas não havia mais dúvidas.

— O que você é Noor? — Lestrade levou a mão livre à boca, incrédulo.

— Ela é MI-6. — Juneau respondeu com certo desdém no rosto. — De uma divisão especial.

— Essa é uma das minhas identidades, sim. — Noor cruzou o ambiente em longas passadas. — Sou uma assassina, com licença para matar em nome de sua majestade. Mas antes, eu fui treinada por uma seita. E é por isso que aqui estou. Não posso explicar a você agora, mas posso prometer respostas para todas as perguntas assim que você usar seu vírus no Pandora.

— Meu vírus? — Ele deu dois passos para trás, arqueando a sobrancelha.

— Segundo as investigações, há informações do MI-5 sobre a compra e venda de um vírus polimórfico capaz de entrar em qualquer sistema. — Juneau voltou a ter uma atitude profissional e fez questão de pegar a arma da mão dele, o que não era muito difícil. — Chamamos o vírus de Kraken.

— O nome é Odin, mas continue. — Lestrade teria uma conversa séria com quem tinha dado esse nome para seu bebê. O único projeto capaz de deixar a mente tranquila no mar de nervosismo naqueles assombrosos anos.

O ChacalOnde histórias criam vida. Descubra agora