Milão, Itália. Março de 2012
Noor estava cansada. Não era um pombo para se contentar com migalhas, mas foi o que conseguiu ao longo de cinco anos imergindo na escuridão do planeta, fermentando as desgraças ao redor do globo em prol de seu mestre. Ela achara que Pandora lhe levaria a informações a respeito de Protagonista e Antagonista, e que lhe forneceria Chacal de bandeja, mas não teve sorte.
Cinco malditos anos.
Com a pistola em punho, ela espiou para fora do elevador e entrou no corredor, examinando o local vazio, mal iluminado e envolto em vidro. Apontou para a esquerda e para a direita cautelosamente, evitando denunciar sua posição. Somente quando se sentiu confortável com o silêncio, ela saiu lentamente enquanto arrastava o corpo de um dos seguranças do prédio.
Ele estava no lugar errado, na hora errada. Não imaginou que edificações com negócios prósperos nos primeiros andares teriam seguranças aguçados nos andares superiores. Os corredores desocupados e com potencial negligenciado não deveriam investir em guardas, mas em câmeras.
Grunhindo com o incômodo de arrastar um cadáver, Noor jogou o corpo em um canto em que não a incomodaria quando entrou na sala. A posição que o deixou permitiu que feixes de luz iluminasse o buraco ensanguentado em sua cabeça. Havia imitado o MO de Chacal, cobriria melhor seus rastros dessa maneira.
Deixando cair a mochila preta que carregava ao lado do cadáver, Noor examinou os arredores. Havia uma vantagem em chegar mais cedo do que deveria e, como diziam os instrutores, analisar suas opções.
Preparação era meio caminho andado para o sucesso.
Quando ela retirou o estojo compacto do rifle de precisão, uma caixa preta menor saltou para fora. Com interesse, Noor deixou de lado sua maleta e abriu a caixa dos óculos de realidade aumentada, criado especialmente para os atiradores de elite.
O bilhete era claro como água. Presente de C.
Por fim, pegou o celular e acessou o aplicativo Pandora, onde havia diversas informações sobre o alvo. Contudo, o foco não era matar o homem de olhos heterocromáticos que se suspeitava ter identificado Chacal, e sim forçá-lo a fugir.
— Noor, você pode me ouvir? — Ecoou a voz de Ainsley no ponto eletrônico no ouvido.
— Talvez. — Noor respondeu, ajoelhando-se no chão e abrindo o estojo do rifle de precisão. Montou-o peça por peça — Eu também posso estar fingindo que estou ouvindo você.
Ainsley deu um riso, quase imperceptível devido a estática.
Noor colocou as peças que faltavam na estrutura principal.
— Lestrade viu Chacal e agora o Pandora colocou a cabeça dele a prêmio. — Não sabia onde Ainsley estava, mas provavelmente seguia o comboio que trazia Lestrade de volta ao hotel após o segundo depoimento. — Seriamos muito ingênuas em acreditar que não há correlação.
— Algo aconteceu, Ainsley. — Noor comentou, posicionando cuidadosamente o cortador de vidro na área que ela havia medido. — Chacal não o tipo de pessoa que manda alguém fazer seu trabalho sujo, ele é o trabalho sujo.
— O amiguinho do seu namorado comentou sobre Richard Bedford, Protagonista e Antagonista em seu depoimento. — Ainsley comentou por alto, quase indiferente.
— E como conseguiu isso? Que eu saiba não temos infiltrados em Milão.
— Nada que uma blusa decotada, seios fartos e um soldado tarado não resolvam. — Antes que Noor a recriminasse por matar policiais, ela continuou. — E não, ele não morreu. Só está desacordado em um canto, sonhando em como seduzir uma ruiva.
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O Chacal
ActionChacal. Ele é um mestre do disfarce, uma lenda temida pela polícia que causa arrepios até nos melhores espiões. Ele jamais deixou um alvo viver. Exceto Lestrade. Lestrade di Laurenti estava no lugar errado, na hora errada. Não era para ele presencia...
