[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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Os olhos do menino foram a primeira coisa que notei; um verde suave, cercado por um anel prateado que parecia pulsar ao redor da pupila.
Parecidos com os meus, mas não eram iguais. Eram frios, inumanamente frios.
Não havia calor, apenas uma escuridão inquietante que parecia se estender além deles.
Lembravam-me de Rhysand, mas algo estava errado, profundamente errado.
A pele bronzeada, tão similar à dele, tinha um tom apagado, como se faltasse vida. O cabelo escuro caía de forma descuidada, quase idêntico, mas sem o charme habitual - apenas um reflexo sombrio e distorcido.
Ele carregava uma familiaridade perturbadora, como se cada traço fosse uma versão distorcida e sombria de algo que eu deveria reconhecer.
E quando percebi, meu estômago se encolheu, um frio rastejando pela espinha. Ele parecia comigo - uma semelhança que não deveria existir.
Os olhos do garoto se moviam devagar, quase predatórios, deslizando da figura de Rhysand, parado à porta, até mim, um passo atrás.
O sorriso que surgiu em seus lábios era errado. Não era um sorriso infantil, mas algo que parecia deliberadamente esculpido para ser cruel e vazio.
Seus olhos brilharam, mas não com alegria; havia algo ali, uma fome antiga e insaciável, pulsando como uma ameaça.
Rhys moveu a mão, puxando algo de uma bolsa que eu tinha certeza de não ter visto antes. Devia ter sido convocada diretamente do vazio que ele dominava.
Sem hesitar, ele arremessou o objeto na direção do menino. O som seco e oco de algo pesado atingindo o chão reverberou pela sala, e o ar ficou mais pesado, quase sufocante.
Algo branco e irregular repousava contra o contraste da pedra fria - um osso.
"A fíbula responsável pelo golpe mortal quando Danika matou o Verme de Middengard," Rhysand declarou, a voz tão fria e afiada quanto uma lâmina recém-forjada.
Meu sangue congelou. O quê? Eu nunca havia pensado no que restara daquele ancião.
Nem me importará, para ser honesta.
Mas agora, a ideia de seus ossos abandonados naquele buraco escuro fazia minha pele se arrepiar, um calafrio que parecia vir de dentro para fora.
"Entre." A voz do menino soou, baixa e arrastada, sem qualquer vestígio de inocência ou bondade.
Não era a voz de uma criança, mas o eco de algo antigo e terrível, algo que não deveria existir no corpo pequeno à minha frente.
Dei um passo para dentro.
"Faz uma era," disse o menino, me observando com atenção, "Desde que algo novo surgiu neste mundo."