𝟑𝟓

380 56 1
                                        

Parecia que meu corpo inteiro ameaçava se desfazer a cada passo

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Parecia que meu corpo inteiro ameaçava se desfazer a cada passo. O fogo em minhas veias pulsava com tanta intensidade que até o menor movimento me fazia vacilar.

Não sabia se era o preço do que havia feito à Tecelã ou se era ela quem sugava lentamente a vida da minha existência. A única coisa que me mantinha minimamente lúcida era o amargo consolo de que o Entalhador de Ossos estava certo: eu havia encontrado o anel e o trazido de volta.

Ainda assim, naquele momento, não tinha certeza se isso valia o que estava suportando.

Nos braços de Rhys, senti seu toque firme enquanto ele me segurava pela cintura com uma mão e apoiava minha nuca com a outra.

Ele nos levou para longe... Para Velaris. Para o céu acima da Casa do Vento.

Descemos em queda livre, o ar arrancando qualquer fôlego que eu pudesse ter para gritar. Suas asas se abriram de repente, poderosas e seguras, enquanto Rhysand fazia uma curva elegante, deslizando com precisão.

Passamos direto pelas janelas abertas, entrando no que só podia ser uma sala de guerra. Cassian estava ali, discutindo algo acaloradamente com Amren.

Ambos congelaram no momento em que pousamos no piso vermelho.

Rhys não hesitou. Ele me conduziu para dentro enquanto eu tropeçava nos próprios pés, minhas forças se esvaindo a cada passo.

Vozes se ergueram ao nosso redor, preocupações e perguntas que mal consegui registrar. Quando, enfim, minhas pernas cederam, desabei nos braços de Rhys, incapaz de me manter de pé nem por mais um segundo.

Mesmo à beira do colapso, lutei para não fechar os olhos. Meu corpo estava exausto, cada gota de energia drenada até o limite, como se a morte estivesse próxima. Foi nesse momento que jurei odiar a Tecelã com cada pedaço de força que ainda restava em mim.

Rhys me carregou até a sala de jantar e me colocou em uma cadeira com cuidado, garantindo que eu estivesse estável antes de recuar.

Mas eu mal estava ali.

A realidade parecia escorregar por entre meus dedos, como um sonho que se desfazia. Balancei a cabeça em uma tentativa desesperada de clarear minha mente, e, pouco a pouco, conforme me afastava do domínio da Tecelã, senti algo em mim começar a se estabilizar.

Quando abri os olhos, levei um momento para perceber que eles haviam se fechado.

A luz ofuscante que atravessava as janelas me atingiu como uma lâmina, amplificando a dor incessante que pulsava em minha cabeça. Pisquei repetidamente, tentando ajustar a visão, até que as figuras ao meu redor se tornaram claras.

Reconheci cada uma delas, mas soltei um gemido irritado.

Socializar, agora? A mera ideia parecia absurda.

Passei a mão pela cabeça, ignorando a dor persistente que atravessava meu corpo, e murmurei: "A Tecelã é uma vadia completa."

Minha voz estava rouca, pouco mais que um sussurro, mas a frase conseguiu arrancar alguns sorrisos.

𝑨 𝑪𝑶𝑼𝑹𝑻 𝑶𝑭 𝑳𝑶𝑽𝑬 𝑨𝑵𝑫 𝑾𝑹𝑨𝑻𝑯Histórias para pegar e não largar. Descubra agora