[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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Rhys nos levou até a floresta, e imediatamente senti sua presença ao nosso redor. Havia algo de ancestral naquele lugar, como se carregasse os ecos de eras esquecidas.
A cada passo, parecia que a própria terra sussurrava histórias de criaturas e tempos antigos. Nunca estive tão consciente de um ambiente quanto naquele momento.
Bétulas retorcidas nos cercavam, os troncos entrelaçados por anos de crescimento e resistência.
Estavam cobertas por grossas camadas de musgo, que pareciam mantos verdes pendendo de cada galho, escondendo o que havia além delas. A atmosfera era opressiva, quase sufocante, mas de uma forma fascinante.
"Que lugar é esse?" Perguntei, estreitando os olhos enquanto analisava a floresta ao nosso redor.
Rhys manteve as mãos próximas às armas, os punhos se contraindo de tempos em tempos, como se fosse um instinto sempre pronto a agir.
Sua voz era baixa, quase reverente, quando respondeu: "No coração de Prythian, existe um território vasto e neutro que divide o norte e o sul. No centro dele está a nossa montanha sagrada."
Uma onda de pânico, quase imperceptível, percorreu meu corpo. Sob a montanha. Aquelas palavras ecoaram em minha mente. Essa era a montanha.
"Essa floresta," ele continuou, seus olhos atentos ao ambiente, "Fica na ponta leste desse território neutro. Aqui não há Grão-Senhor. Aqui, a lei é feita por quem é mais forte, mais cruel, mais ardiloso. E a Tecelã da Floresta está no topo da cadeia alimentar."
"Encantador," murmurei, enquanto as árvores ao nosso redor pareciam gemer, embora não houvesse nem sinal de vento.
Nem mesmo uma brisa.
"Essas criaturas são tão poderosas que nem mesmo Amarantha ousava enfrentá-las?" Perguntei, tentando mascarar meu desconforto.
Rhys arqueou uma sobrancelha, um toque de ironia em sua resposta: "Amarantha não era tola, por mais discutível que isso seja. Ela nunca perturbou estas criaturas, nem se atreveu a se aventurar nesta floresta. Passei anos tentando manipulá-la para cometer esse erro, mas ela nunca caiu."
"Então, até mesmo a rainha insana e tirânica sabia o suficiente para não se meter aqui, e ainda assim estamos aqui... Apenas para um teste?" Perguntei, erguendo as sobrancelhas em ceticismo.
Ele riu, e o som ecoou entre as árvores, um contraste estranho àquele ambiente.
"Cassian tentou me convencer ontem à noite a não trazer você. Achei que ele fosse me socar."
Dei um pequeno sorriso ao ouvir aquilo, mas uma parte de mim sentiu o peso do medo. Eu quase não sentia nada ultimamente; apenas a raiva e a tristeza permaneciam constantes.
Sentir medo novamente... Era quase um alívio.
Olhei para Rhys novamente, com a curiosidade tomando conta de mim.