[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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Ambas as nossas irmãs estavam perto da janela, imóveis, como se o tempo tivesse parado para elas. A luz das velas refletia em seus cabelos, tingindo-os como raios dourados de sol.
Mas havia algo mais naquela cena - uma tensão latente em seus corpos, nos ombros rígidos, na maneira como evitavam se mexer.
Elas pareciam estátuas.
Tão jovens. Tão mortais. Tão... Quebráveis.
O pensamento se alojou na minha mente como uma lâmina fria, cortante e implacável.
O que aconteceria quando elas envelhecessem? Quando o tempo as roubasse de mim? Quando minhas irmãs não fossem mais capazes de lembrar quem eu era?
Minha existência imortal mal teria começado quando elas desaparecessem.
A sala, de repente, encolheu ao meu redor, sufocante, apertada demais para conter a enormidade do vazio que se formava dentro de mim.
Enquanto isso, o meu mundo parecia vasto demais. Infinito. Um abismo sem bordas ou fim. Minhas entranhas se reviraram com uma sensação que eu reconheci: pavor.
Eu sobreviveria a tudo o que era familiar. Sobreviveria à mortalidade delas e à minha própria. Um dia, tudo o que eu fui - tudo que nós fomos - seria engolido pelo esquecimento. E então, o que restaria de mim?
Um toque suave, como uma onda silenciosa contra minhas barreiras mentais, arrancou-me desse turbilhão. Pisquei, afastando os pensamentos, e lentamente desviei o olhar das minhas irmãs.
Meus olhos encontraram um par de íris violetas. Observadores. Constantes. Outro lampejo de conforto atravessou minhas defesas, mesmo que eu não tivesse permitido.
Verifiquei minhas barreiras mentais, procurando qualquer falha. Não havia. Meu escudo de eletricidade permanecia intacto, impenetrável.
Então, como ele sabia? Como ele podia sentir o que eu estava sentindo?
A pergunta ficou suspensa no ar, sem resposta. Afastei os pensamentos e voltei-me para minhas irmãs, concentrando-me na tarefa à nossa frente.
Caminhei até o lado de Nestha, o frio penetrando minha pele. Eu havia deixado minha capa de lado e agora usava apenas o vestido que escolhi antes.
Eram para mim e Feyre que os olhos de Nestha e Elain estavam voltados. Não para os guerreiros Illyrianos. Não para o Grão-Senhor da Corte Noturna.
Para nós.
Porque, aos olhos delas, éramos estranhas.
Vi isso nos olhares de minhas irmãs.
Um vazio. Uma desconexão profunda, como se já não soubessem quem éramos. Parte de mim duvidava que algum dia tivessem realmente sabido.
Talvez estivéssemos sempre tão distantes, tão irreconhecíveis aos olhos delas, que nunca fomos mais do que sombras no horizonte.
Os olhos de Nestha finalmente se desviaram, como se, por um momento, ela se recusasse a encarar nossa realidade. E então, a atenção dela foi para os machos alados na sala.