[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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Um ano.
Há um ano, Tamlin invadiu nossa casa e levou minha irmã e eu para Prythian. Forçou-nos a abandonar tudo que conhecíamos... Há um ano.
A propriedade de nossa família estava intacta, tão linda quanto na última vez que a vi. O telhado esmeralda brilhava à luz da manhã, e o mármore claro das paredes parecia fundir-se à neve, como se estivesse envolto em uma camada espessa e reluzente.
Era como olhar para uma floresta no auge do inverno. Raminhos de azevinho e sempre-verde adornavam as janelas e o entorno.
A única celebração que os humanos ainda se permitiam. Todo o resto fora banido, esquecido, como se apagar as tradições pudesse afastar as sombras de um passado marcado pela dor.
Mas os imortais sempre estariam lá. A guerra podia ter terminado, mas seu legado permanece, infiltrando-se como sombra.
Os humanos deixaram o medo consumi-los, tirando-lhes a alegria, a tradição. E, ao fazê-lo, encheram nossas vidas de vazio.
De certa forma, eu conseguia compreender. Três meses sob o jugo de Amarantha foram suficientes para reduzir minha alma a cacos de vidro.
Um milênio de faes como ela teria feito mais do que arrasar corpos e terras; teria aniquilado a alma de um povo. Isso, eu podia entender.
Mas deixar que o medo apagasse completamente quem éramos? Isso, jamais.
Minha irmã e eu permanecemos em frente à porta que nos levaria à nossa família. Ou, talvez, à nossa morte.
Nossas capas estavam erguidas, as mãos escondidas nos bolsos. O som do sino que Feyre tocará ainda reverbera ao nosso redor, como um aviso.
Atrás de nós, Rhys, Azriel e Cassian esperavam, envoltos pelo glamour que o Grão-Senhor lançara.
Mas essa conversa seria nossa.
Apenas nossa.
A porta se abriu, e um rosto familiar surgiu.
A Sra. Laurent. Seu semblante arredondado e sereno mudou no instante em que me viu. Eu estava à frente de Feyre. Sempre à frente, para que, se o pior acontecesse, fosse eu a cair primeiro.
"Posso ajudar?" As palavras morreram em seus lábios.
Ela me olhou com algo entre o choque e o reconhecimento. Eu sabia o que ela via - ou imaginava saber.
Meu capuz escondia minhas orelhas, mas o brilho sobrenatural em meus olhos era inconfundível.
Eu poderia usar glamour para ocultá-lo, mas seria um insulto esconder-me diante da minha família.
"Viemos ver nossa família." A voz de Feyre, trêmula, soou por trás de mim.