[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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O Attor gritou, um som tão profano que parecia atravessar os próprios céus, fazendo até os deuses sombrios questionarem sua própria essência.
Suas mãos me soltaram como se o simples toque tivesse queimado sua carne. Ele tropeçou para trás, o pânico estampado em seus olhos, tentando desesperadamente escapar da dor que eu havia infligido.
Eu me virei, pronta para terminar o que comecei, sem hesitar.
Sua pele era um pesadelo de carne queimada e ensanguentada.
O osso branco espiava, desafiando o que restava do seu corpo, como se a própria vida estivesse escorrendo de seus membros. A visão era grotesca, mas... Não para mim.
Para mim... Era como uma obra-prima em ruínas, uma escultura de destruição e sofrimento que só uma mente como a minha poderia entender.
Arte. Minha arte.
E, pelo Caldeirão, como era intoxicante.
O êxtase de estar no controle novamente me arrastou para um lugar mais profundo, mais sombrio.
A fraqueza que eu sentia antes desapareceu, como se nunca tivesse existido. Eu não era mais uma vítima.
Não, eu era uma lâmina. Uma espada de vidro, cortante, letal.
Sorri para ele, o som de seus gritos me envolvendo como uma sinfonia macabra. Sua dor, a droga que eu desejava, me consumia com cada suspiro agonizante que ele dava.
E quanto mais ele sofria, mais eu me sentia viva.
Avancei, cada passo meu lento e intencional, saboreando o medo que transbordava dele, como se fosse um néctar raro, impossível de resistir.
O Attor tentou recuar, mas suas costas encontraram o tronco de um carvalho robusto, e ele ficou preso, sem qualquer chance de fuga. Seus olhos se arregalaram, e algo que era puro terror brilhou ali, um reflexo claro de sua vulnerabilidade.
Uma parte de mim, ainda distante e fria, se perguntou, seria de mim que ele tinha medo?
Eu esperava que sim. Eu queria que fosse exatamente isso.
Queria ver seu sangue pingar na neve, cada gota manchando o branco imaculado e tingindo-o de vermelho, uma marca permanente que jamais seria apagada.
A visão seria tão... Perfeita, que quase podia sentir o prazer correndo pelas minhas veias.
Suspirei, estendendo a mão, e observei enquanto a chama branca se enrolava por meus dedos, deslizando com a graça mortal de uma serpente, minha serpente, feita sob medida para essa destruição, uma obra-prima de puro controle.
Agarrei o pescoço do Attor, a pressão da minha mão apertando lentamente, e vi com uma satisfação visceral a Sombra da Asa Solitária escorregar de seus olhos, deixando-o vazio, dilacerado internamente.