[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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Meus olhos não ousaram se desviar da figura que permanecia sentada, como uma sombra que se fundia com a escuridão ao redor.
Ela estava imóvel, quase como uma escultura, mas havia algo na tensão de seu corpo, uma energia pulsante que a fazia parecer viva, ainda que estivesse completamente quieta.
As mãos sobre a mesa, os dedos entrelaçados, em silêncio absoluto, como se estivesse captando alguma vibração no ar, buscando algo que não estava visível.
A roda girava lentamente, cada rotação mais arrastada, como se o próprio tempo se recusasse a seguir adiante. Eu podia ouvir o som abafado do movimento, como um relógio prestes a parar.
Comecei a andar. Cada passo calculado, silencioso, tentando não fazer barulho.
A porta estava tão perto, uma promessa de liberdade que parecia tão tangível quanto o ar que respirava. Mas a distância entre nós parecia aumentar a cada passo que eu dava.
Então, o som da roda cessou, cortando a quietude como uma lâmina afiada.
A porta, que antes parecia ao alcance, agora estava trancada por um som seco, final.
O mecanismo da fechadura ecoou como um golpe no meu peito.
A liberdade foi arrancada, substituída pela realidade de que estava presa.
Não havia saída. Não mais.
Recusei-me a ceder ao pânico.
Não podia me dar ao luxo de sucumbir ao medo. Eu tinha que ser mais astuta, mais estratégica.
Janelas.
Eu ainda tinha as janelas. Aquelas pequenas aberturas para o mundo exterior.
Me movi em direção à mais próxima, meu coração acelerando, mas com cada passo, a esperança foi se dissipando.
Quando finalmente alcancei a maçaneta, minha mão se fechou em torno dela, mas estava gelada, imóvel.
Tentei forçá-la, mas ela não cedeu. Estava presa, tão permanentemente quanto o destino que parecia ter me aprisionado ali.
E, com um suspiro pesado, eu soube que não havia mais para onde correr.
A voz da Tecelã reverberou pela sala, suave e mortal, como se cada palavra tivesse sido forjada em algum lugar sombrio: "Quem está na minha casa?"
Forcei-me a não vacilar.
Respirei fundo, as palavras de um mantra antigo tentando me manter centrada, mas o medo, como uma sombra, se arrastava silenciosamente sob minha pele.
Não poderia deixá-lo me consumir.
Ela se virou para mim, os olhos negros e profundos encontrando os meus, e ali, em sua presença, o ar parecia ficar mais espesso, quase palpável.