𝟑𝟕

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Rhys me levou até a Casa do Vento na manhã seguinte

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Rhys me levou até a Casa do Vento na manhã seguinte. Lá, eu encontraria Feyre e Mor. Hoje, iríamos visitar minhas irmãs nas Terras Mortais.

Por mais que eu quisesse acreditar que estava preparada, sabia que era apenas uma mentira conveniente.

A verdade? Minha família provavelmente nos odiaria.

Eu odiava o que nos tornamos.

Feyre e eu não nos víamos desde aquele jantar inicial com o círculo.

O caos ao meu redor era incessante, sugando toda a minha atenção, deixando pouco ou nada para ela. Mas eu sentia falta dela.

Desde Sob a Montanha, algo mudou entre nós. Um abismo silencioso começou a se formar.

Distância, fria e implacável, se instalou onde antes havia calor e proximidade. E, mesmo que fosse doloroso admitir, isso parecia inevitável.

Eu sabia que as cicatrizes deixadas por Amarantha eram profundas. Não apenas físicas, mas invisíveis, corroendo tudo por dentro.

Tentávamos seguir em frente, mas o que isso nos custava? Algo essencial foi quebrado, e talvez nenhuma de nós soubesse como consertar.

Nos meses que antecederam minha ida à Corte Noturna, nós nos vimos. Algumas vezes. Mas não era real. Estávamos lá, mas não presentes. Sombras. Fantasmas do que costumávamos ser.

Agora, eu estava finalmente indo vê-la, e isso deveria ser um alívio.

Mas a culpa pesava mais.

Decidimos usar a casa de nossa família sem perguntar, sem consultar. Foi necessário, claro, mas isso não tornava a decisão menos amarga.

Eu não deveria ter concordado tão rápido. Mas em tempos de guerra, escolhas precisam ser feitas, e hesitação pode custar caro.

Sacrifícios são inevitáveis - bons ou ruins, isso não importa. O caos reina, e eu...

Eu sou especialista em caos.

A Casa do Vento parecia maior do que eu lembrava. Cada parede gravada, cada janela que deixava entrar o vento frio, parecia refletir minha própria confusão.

Não havia tempo para admirar ou odiar o espaço. Havia apenas o vazio, o peso das decisões, e a incerteza do que viria a seguir.

Hoje não seria fácil. As coisas nunca são. Mas se eu aprendi algo no caos da guerra, foi a necessidade de seguir em frente, mesmo que tudo ao redor estivesse em ruínas.

Porque, no final, é isso que fazemos. Nós sobrevivemos ao caos.

Enquanto procurava Feyre e Mor pela Casa do Vento, percebi o quão imensa ela era.

Até aquele momento, nunca tinha reparado nos detalhes - as paredes meticulosamente entalhadas, as janelas altas que traziam o vento frio lá de fora, e os tapetes... Cujas escolhas me fizeram questionar o gosto de quem os escolheu.

𝑨 𝑪𝑶𝑼𝑹𝑻 𝑶𝑭 𝑳𝑶𝑽𝑬 𝑨𝑵𝑫 𝑾𝑹𝑨𝑻𝑯Histórias para pegar e não largar. Descubra agora