[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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Foram necessárias horas para que Elain, com sua delicadeza natural, persuadisse os empregados a fazerem as malas e partirem sem demora. Cada um recebeu uma bolsa de dinheiro para facilitar a saída.
A Sra. Laurent, a última a deixar a casa, jurou em confidência guardar para si tudo o que havia presenciado.
Eu não sabia em que buraco escuro Rhys, Cassian e Azriel estavam escondidos, mas assim que a Sra. Laurent subiu na carruagem e partiu com o restante da equipe, ouvi uma batida suave na porta. A hora havia chegado.
Feyre e eu decidimos que eu deveria recebê-los e lidar com as apresentações. Passava mais tempo com eles, afinal.
Mas isso não significava que eu havia esquecido o motivo de frequentar a corte de Rhys todo mês: ele era um irritante. Um irritante suportável, é verdade, mas ainda assim um irritante.
A luz do crepúsculo mergulhava a casa em sombras quando abri a porta.
Lá estavam eles, os três, imensos e deslocados, parecendo mais espectros do que homens, com expressões que misturavam curiosidade e desafio.
Dentro, Nestha, Elain e Feyre esperavam na sala de jantar. A tensão era palpável, uma corrente elétrica no ar.
A pequena casa parecia sufocada pela presença deles, pelas proporções de outro mundo que traziam consigo. Mesmo eu me sentia fora de lugar, uma estranha em minha própria história.
Rhys lançou um olhar casual ao redor, examinando cada detalhe das paredes claras e da mobília meticulosamente arrumada. Seus olhos brilharam com aquele sarcasmo irritante que eu conhecia bem.
"Você pensaria que esta casa foi atingida pela praga," ele comentou, uma sobrancelha erguida, o tom casual demais para não provocar.
Revirei os olhos e abri mais a porta para que entrassem.
"Tente se comportar, por favor", acrescentei, carregando a última palavra com ênfase. "Precisamos desta casa."
Rhys me lançou aquele sorriso preguiçoso e cínico que fazia meu sangue ferver.
"E o que faz você pensar que eu não sou um convidado exemplar, Danika?" Sua voz era doce como mel, mas afiada como lâmina.
Parei de frente para ele, cruzando os braços, e ergui o queixo.
"Porque você é você," rebati, firme.
Cassian soltou um riso baixo, um brilho divertido nos olhos.
"Ela te conhece bem demais, Rhys."
"Justo," Rhys admitiu, erguendo as mãos em falso gesto de rendição.
Cassian girou em círculo, analisando o espaço com exagerada apreciação.
"Seu pai é claramente um excelente comerciante," observou, assobiando. "Já vi castelos menos luxuosos que isso."
Azriel permaneceu em silêncio, mas seus olhos varriam o ambiente como se memorizassem cada detalhe, cada sombra.
Os olhos de Rhys encontraram os meus, intensos, carregados de uma pergunta que ele não precisava formular. Suspirei, respondendo antes que ele tivesse a chance.
"Meu pai está em Neva," comecei, minha voz, sem emoção. "Negociando com mercadores da outra metade do mundo e participando de uma reunião sobre uma suposta ameaça além da muralha."
"Prythian?" Cassian perguntou, virando-se para mim, suas sobrancelhas franzidas em curiosidade.
"Não sei ao certo," admiti, dando de ombros. "Eles só disseram 'acima da muralha'. Presumi que fosse Prythian, mas poderia muito bem ser Hybern."
Azriel deu um passo à frente, movendo-se com aquela graça letal que fazia cada movimento parecer uma ameaça contida.
"Se os humanos já estão cientes da ameaça e começaram a se unir contra ela, isso pode ser útil. Pode ser a vantagem que precisamos para alcançar as rainhas."
Enquanto ele falava, eu sentia o peso do olhar de Rhys sobre mim.
Não era apenas um olhar. Era um desafio, uma investigação silenciosa. Ele via mais do que eu queria. Mais do que eu estava pronta para admitir até para mim mesma.
Aquela casa, que um dia fora meu lar, agora parecia pequena demais, sufocante.
Tudo ali parecia frágil. Tudo que eu era antes de atravessar a muralha parecia um eco distante. Eu me sentia manchada, uma sombra do que fui.
Mas eu sabia, com cada fibra do meu ser, que pedir isso às minhas irmãs era inevitável. Não havia outra escolha. Precisávamos delas, e se isso significasse sacrificar um pedaço do que restava da nossa ligação, eu faria.
"Venha," Rhys interrompeu meus pensamentos, sua voz baixa, mas firme.
Ele inclinou a cabeça ligeiramente, como se me convidasse a seguir em frente.
Eu o encarei por um momento, minha mente cheia de respostas que ele nunca pediu, antes de assentir.
"Vamos fazer as apresentações," ele disse, o canto de seus lábios curvando-se em um sorriso sutil, mas carregado de significado.
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