[Livro dois da série Starlight]
Aviso: Este livro abordará temas que podem ser sensíveis para alguns leitores.
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Danika Archeron emergiu das profundezas do próprio inferno.
Agora, obrigada a retornar à Corte Primaveril após...
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Espirais de árvores cobertas de neve pulverulenta flutuavam acima de nós, dançando suavemente com a brisa que cortava a floresta.
A paisagem parecia congelada no tempo, tudo imóvel, exceto pelo movimento delicado das folhas e galhos.
O silêncio que se instalou era profundo, denso, como se o próprio mundo estivesse contendo a respiração, esperando algo.
Os pássaros, normalmente vibrantes com suas canções, estavam silenciosos, suas melodias abafadas, como se a floresta tivesse decidido acalmar até mesmo as vozes da natureza.
E, naquele momento, me peguei me perguntando: fui eu quem silenciou o canto deles, ou foi o Grão-Senhor ao meu lado que, de alguma forma, impôs esse silêncio sobre todos nós?
"Congelar a bunda logo de manhã não era exatamente o que eu tinha em mente para o nosso dia de folga", disse Rhysand, sua voz leve e casual, como se estar no meio de uma floresta congelada fosse a coisa mais natural do mundo.
Eu forcei uma carranca, minha raiva fervendo como uma chama prestes a se alastrar.
Ele me acordou de madrugada, e a lembrança disso ainda me fazia querer dar um soco em seu rosto. Eu estava irritada, muito irritada, mas não podia negar a sensação de que ele fazia isso de propósito, como se fosse algum tipo de jogo.
Algo em sua calma desconcertante sugeria que ele estava me testando, empurrando meus limites para ver até onde eu iria.
"Deveria levá-la até as estepes illyrianas quando voltarmos, a floresta lá é muito mais interessante. E mais quente.", disse ele, como se isso fosse algum tipo de consolo.
Eu não pude evitar o sarcasmo que escapou dos meus lábios.
"Veja, eu ouço palavras saindo da sua boca", retruquei, minha voz baixa e carregada de irritação. "Mas, sinceramente, ainda é tão cedo que tudo o que consigo entender são uns sons desconexos, como se eu estivesse ouvindo um urso tentando cantar ópera."
Eu soltei uma risada curta, mais pela frustração do que por realmente achar graça. O sarcasmo era a minha arma favorita, e eu sabia que ele não resistiria a provocação.
Os olhos dele brilharam com aquela leve diversão que só ele sabia exibir, como se estivesse gostando de me ver assim, tentando manter o controle.
Minhas palavras desde que acordei saíam afiadas, cortantes como lâminas, refletindo o humor tempestuoso que eu carregava por dentro.
Olhei para ele de lado, fixando minha atenção nas suas costas, tentando processar o que ele acabara de dizer, mas minha mente estava atolada pela frustração.
"Onde ficam as estepes illyrianas, Rhys? Você me mostrou um mapa antes, mas metade da Corte Noturna estava bloqueada, e, sinceramente, não consegui entender nada."
Cruzei os braços, como se isso fosse uma forma de blindagem contra a crescente raiva que fervia dentro de mim.
Eu estava irritada, e mais do que isso, sentia como se algo em mim tivesse sido interrompido sem explicação.