Treinar com o papai?

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O sol ainda estava baixo no horizonte quando acordei

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O sol ainda estava baixo no horizonte quando acordei. O som suave do despertador me tirou do sono, mas antes que eu pudesse me levantar, senti algo macio e quentinho grudado em mim. Era Pablo, que havia se infiltrado na minha cama durante a noite e agora estava ali, abraçado a mim, com seu pequeno rosto contra meu peito.

Tentei me levantar com cuidado para não acordá-lo, mas ele se mexeu e abriu os olhos sonolentos. "Papai..." ele murmurou, ainda com a voz embargada. "Eu não quero ir pra escolinha hoje..."

Meu coração apertou ao ouvir aquilo. Eu sabia que ele estava com medo, e ao mesmo tempo, um pouco de saudade de mim. A escolinha não tinha sido como ele imaginava, e aquele dia anterior o deixou ainda mais apreensivo. Ele não queria me deixar, e eu entendia isso. Mas, ao mesmo tempo, eu precisava treinar, o que não era negociável.

"Eu sei, filho, mas papai tem que treinar hoje, e eu prometo que vou estar aqui depois, tá bom?" disse, tentando suavizar a situação, mas ele se agarrou a mim com mais força, seu rostinho preocupado.

"Mas eu não quero ficar lá, papai..." Ele implorou, com os olhinhos cheios de lágrimas. "Eu só quero ficar com você."

Eu suspirei, olhando para ele. Não queria deixá-lo sozinho, nem forçá-lo a ir para a escolinha, mas as circunstâncias eram complicadas. Então, uma ideia surgiu na minha mente, e eu sabia que poderia ser uma solução temporária para aquele dia.

"E se você fosse comigo para o treino hoje? O que acha disso?" perguntei, acariciando seus cabelos. Ele me olhou com os olhos brilhando, como se não acreditasse no que eu estava dizendo.

"Lá no trabalho do papai?"

"Sim, você vai gostar. Vai ser como um treino para nós dois," sorri, tentando deixar tudo mais leve. Ele sorriu de volta, mais aliviado, e se afastou um pouco para se vestir.

Coloquei o uniforme do Barcelona e, antes de ir pro CT, passei na lojinha do estádio. Olhei para a prateleira e lá estava o uniforme que eu usava para treinar. Peguei um do mesmo modelo, mas tamanho pequeno, perfeito para o baixinho. A ideia de vê-lo com o mesmo uniforme que eu usava me fez sorrir. Era simbólico.

Chegando ao centro de treinamento, coloquei o uniforme nele. Ele parecia ainda mais animado, vestindo o mesmo azul e grená que eu. Seu sorriso iluminou o ambiente enquanto ele dava pulinhos ao meu lado.

Os jogadores olharam surpresos quando viram Pablo entrando comigo. Alguns deles riram e começaram a brincar com a situação.

"O Pedri tá virando o papai do ano em. O baixinho tá todo estiloso," comentou um dos meus companheiros de time, o Sergi, dando risada.

"Parece que o Pedri agora tem uma mini-versão dele!" riu outro.

As provocações começaram a se espalhar pelo campo, mas, para mim, era impossível não sorrir. Ver Pablo ali, tão empolgado e feliz por estar me acompanhando, era mais do que eu poderia pedir.

Conforme o treino começava, Pablo não se afastava de mim. Ele ficava ali, observando atentamente, e até tentava imitar alguns dos exercícios. Quando fizemos exercícios de passe, ele pegava uma bola de treino e tentava dar passinhos com ela. Eu corria pelo campo, e ele tentava correr atrás de mim, com as perninhas curtas tentando acompanhar meu ritmo. A cada tentativa frustrada, ele caía na grama, mas logo se levantava com um sorriso determinado no rosto e corria de novo, tentando me alcançar. Quando percebia que não estava conseguindo, parava e dizia, sem fôlego:

"Papai, você corre muito rápido!"

Aquele comentário me fez rir, mas ao mesmo tempo, meu coração se encheu de carinho. Como ele estava crescendo rápido. Ele era tão pequeno, e já se sentia tão grande, tentando me imitar. Eu sabia que aquela experiência não seria só para ele, mas também para mim. Cada momento ao lado dele valia mais do que qualquer treino.

O treino foi avançando, e, quando os jogadores começaram um mini-jogo, Pablo se empolgou ainda mais. Ele ficou em pé na lateral do campo, gritando e torcendo como se fosse o mais apaixonado dos torcedores. Quando a bola saiu do campo, ele a pegou com as duas mãozinhas e jogou de volta para os jogadores, como se estivesse participando de tudo. Ele parecia se sentir parte da equipe, como se fosse um pequeno membro do Barça, e isso me fez sorrir ainda mais.

Os outros jogadores começaram a se divertir com as atitudes de Pablo, e a risada foi generalizada. "Esse aí vai ser o novo jogador do Barcelona em breve," brincou um dos meus amigos.

Quando o treino acabou, Pablo estava exausto. Seus olhinhos estavam quase fechando, e ele já não conseguia ficar em pé direito. Eu sabia que, assim que o colocasse no carro, ele provavelmente cairia no sono antes mesmo de chegarmos em casa. E não estava errado.

Levei-o nos braços até o carro, onde ele se aninhou em meu colo e, antes mesmo de eu dar a partida, ele já estava dormindo profundamente. O pequeno havia vivido um dia tão cheio de aventuras, tentando me imitar e ser parte do meu mundo, que agora estava completamente esgotado. Olhei para ele enquanto dirigia e sorri.

Não importa o que acontecesse, ele era meu agora. Meu pequeno, meu companheiro, e a razão pela qual eu me esforçava cada vez mais. A cada dia, ele me ensinava o verdadeiro significado do amor e da paternidade.

E, naquele momento, sabia que faria qualquer coisa para vê-lo crescer feliz.

Fuck, i'm dad! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora