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Uma família inesperada
Sinopse:
Narrada por Pedri, meio-campista do Barcelona, esta história desdobra-se em um dia inesquecível que muda sua vida para sempre. Durante uma vibrante partida no Camp Nou, Pedri, um jovem tal...
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PABLO
Eu estava sentado na beirada da cama, as mãos suadas e os olhos vermelhos. Já fazia duas horas que estava trancado no meu quarto. Não estava estudando, como tinha dito para os meus pais. Na verdade, eu estava chorando. Era uma mistura de frustração, medo e um desejo absurdo de ser diferente.
Eu não conseguia parar de pensar no que havia acontecido naquela tarde, atrás da escola. O beijo com ele, com o meu "amigo", foi o tipo de coisa que parecia simples, mas não saía da minha cabeça. A cada segundo, uma voz na minha cabeça sussurrava que eu tinha feito errado, que não devia sentir aquilo, que não podia ser daquele jeito.
Mas o que me fazia sofrer mais não era o que eu sentia por ele, mas o medo do que minha família, especialmente meu pai, pensaria de mim. Eu estava começando a me perder. Era um ciclo de dúvidas que não terminava. Eu não sabia o que estava certo, mas o que eu mais temia era desapontar meu pai.
Ele sempre teve grandes expectativas de mim. Queria que eu fosse um grande jogador, que seguisse seus passos, que fosse forte, independente, sem medo de nada. Eu olhava para ele e via um homem que parecia ter todas as respostas, todas as certezas, e eu... eu não sabia nada. Eu sentia que estava falhando em todas as coisas que ele esperava de mim.
Então, enquanto me arrumava para a festa, um evento que eu sabia que meus pais esperavam que eu fosse, eu tentava encontrar uma maneira de me encaixar. Tentei me convencer de que poderia simplesmente fazer de conta, que poderia ser o tipo de filho perfeito, como sempre fui. Afinal, o que mais eu poderia fazer?
A festa estava acontecendo na casa de um colega da escola. Era um evento típico de adolescente. Música alta, risos, danças, e aquele ambiente todo confuso de adolescentes tentando descobrir quem eram. Eu sabia que não era o meu ambiente, mas pelo menos eu não seria o único desconfortável ali.
Eu fui decidido a fazer tudo o que fosse esperado de mim. Eu sabia que meu pai ficaria feliz em saber que eu fui à festa, mas mais importante, ele ficaria aliviado em ver que eu estava apenas me socializando com os outros. Não pensaria que eu estava perdendo tempo com coisas "erradas". Era isso que eu precisava. Não podia mostrar quem eu realmente era.
Eu me vesti de forma que me fizesse parecer normal. Tentei parecer o mais "normal" possível, usando uma camisa que combinasse com os outros, que não fosse chamativa, nem exagerada. Não queria ser o centro das atenções, mas também não queria parecer estranho. Eu só queria ser aceito, para poder, talvez, finalmente, parar de me preocupar tanto com a impressão que deixava.
E foi assim que entrei na festa. Entre risos e conversas rápidas, me perdi na multidão, tentando encontrar um lugar onde eu pudesse simplesmente existir sem ser notado demais. As músicas eram tão altas que quase não dava para ouvir direito. Alguns meninos estavam conversando animados, outros se exibindo para as meninas, mas eu não queria saber deles. Eu só queria manter a cabeça baixa.